Representantes da Unicamp defenderam a importância da autarquização de sua área da Saúde em encontro com os parlamentares da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. Segundo a proposta, a nova autarquia, que será ligada à Secretaria de Estado da Saúde (SES), deverá gerenciar oito unidades de saúde, como o Hospital de Clínicas (HC), o Hospital da Mulher (Caism), o Hemocentro e o Gastrocentro. Todas elas ainda estarão ligadas academicamente à Universidade.
Durante a audiência pública convocada pela Comissão de Saúde da Alesp, realizada na última terça-feira (14), foi detalhada a importância da autarquização para o futuro da Universidade, que hoje gasta cerca de 25% de seu orçamento no custeio da área da Saúde – cerca de R$ 1,1 bilhão.
“Temos muito orgulho da nossa área da saúde. Quando falamos em autarquizar uma área não estamos privatizando absolutamente nada. A autarquia é uma forma de fortalecer o financiamento público de uma área fundamental que é a da Saúde”, defendeu o reitor da Unicamp, professor Paulo Cesar Montagner.
A grande contrapartida que deverá ser assegurada pela Unicamp caso o projeto seja aprovado pelo Parlamento Paulista é a ampliação do número de cursos e vagas oferecidos pela universidade. “Recebemos notícias do interesse de uma escola de medicina em Piracicaba, por exemplo, que é uma escola cara”, comentou o reitor.
Presentes na audiência, as Secretarias da Saúde e de Ciência, Tecnologia e Inovação (SCTI) apoiaram a proposta apresentada. Representando a SCTI, o coordenador de Ensino Técnico e Superior, Marcos Nogueira Martins, afirmou que a secretaria vê o projeto “com bons olhos”.
“O processo é virtuoso. Todo mundo ganha. A universidade ganha porque aumenta a oferta de cursos e o número de estudantes e os hospitais também crescem porque serão administrados pela SES, que faz muito melhor que a universidade”, defendeu Martins, ressaltando ainda o princípio da independência universitária.
O diretor do Departamento Regional de Saúde (DRS) de Campinas, Jorge Curi, que representou a SES, argumentou que a transferência da administração para a secretaria vai possibilitar que a Unicamp volte a crescer.
“Nós precisamos, essencialmente, do porte e da consistência em ensino e pesquisa dos hospitais universitários. Com a autarquização e com a relação direta com o sistema de saúde estadual, a segunda maior região do estado vai conseguir responder à demanda dos nossos pacientes. Precisamos de agilidade. Os pacientes não podem esperar nas filas”, afirmou.
Exemplo no estado
Encabeçando o projeto, o diretor executivo da área da Saúde da Unicamp, Luiz Carlos Zeferino, ressaltou que a proposta é essencial para que o complexo hospitalar tenha alguma perspectiva de crescimento.
“A autonomia universitária foi ótima nos aspectos acadêmicos, mas não foi para a saúde, porque essa área travou. Por isso, temos hoje a mesma dimensão que tínhamos em 1989 quando a autonomia universitária foi instituída”, disse ele.
Segundo ele, o orçamento relativo da pasta até diminuiu em comparação com a década de 1990, quando a saúde representava cerca de 20% do orçamento da universidade – hoje o valor gira em torno de 17%.
“O hospital não cresceu, sendo que a população de Campinas passou de 750 mil pessoas em 1985 [época da fundação do HC e do Caism], para 1,2 milhão hoje”, apontou. “Não há perspectiva de crescimento nesse modelo de financiamento da autonomia universitária”, garantiu o diretor.
Ele fez uma apresentação do projeto pontuando os objetivos e comparou com a gestão de hospitais ligados às outras universidades estaduais paulistas – USP e Unesp – no Interior do estado. Zeferino usou o caso do Hospital de Clínicas de Botucatu como exemplo do que buscam para o futuro da saúde da Unicamp.
Aprovada em 2010 e alterada ao longo dos anos, a autarquização do HC da Unesp de Botucatu transferiu, progressivamente, o financiamento da unidade de saúde da universidade para o governo estadual. Esse processo levou dez anos, mesmo período solicitado para a transição no caso da Unicamp. Em contrapartida, a Unesp abriu 11 novos cursos de graduação.
Luiz Carlos Zeferino destacou que o Hospital seguiu ligado academicamente à Universidade, o que é defendido pelos gestores da Unicamp.
“Esse é o modelo que nos interessa. Esse complexo é extremamente importante do ponto de vista acadêmico. Criou-se uma autarquia, mas manteve-se o perfil de hospital universitário, o que é fundamental”, disse o professor.







