A autarquia de Serviços Técnicos Gerais (Setec) de Campinas está realizando obras no Cemitério da Saudade, um verdadeiro museu a céu aberto da cidade. Entre as intervenções mais recentes está a troca do piso, que não passava por uma reforma completa desde a fundação do local, em 1881. A obra, porém, está incompleta, como constatou a reportagem do Hora Campinas na visita deste sábado, Dia de Finados.
Na última reportagem sobre o tema, a Setec havia informado em nota pública que 80% dos serviços estavam concluídos e que a previsão de entrega é para novembro deste ano. A autarquia informou, também, que instalou câmeras de monitoramento com objetivo de oferecer mais segurança aos visitantes e evitar furtos no cemitério.
O Cemitério da Saudade reúne aproximadamente 30 mil sepulturas, parte delas com ornamentos, anjos e adereços artísticos.
A reportagem do Hora acompanhou pela manhã um movimento de muita tranquilidade e serenidade. Parentes e amigos visitaram seus entes queridos levando flores, vela e sentimentos de saudade.
Fotos: Leandro Ferreira/Hora Campinas


CRÍTICAS
Apesar da tranquilidade, visitantes fizeram questão de mostrar a insatisfação com a manutenção e segurança do espaço. Ainda que esteja melhor que outros anos, conforme salientaram, o Cemitério da Saudade segue desafiando o poder público no quesito infraestrutura.

Algumas alamedas estavam sem o piso, que está em processo de instalação. Ruas internas de areia apresentavam, na sarjeta, as pedras que estão sendo removidas.

Mas as principais críticas foram quanto ao sumiço das plaquinhas que indicam o nome dos parentes e amigos ali sepultados. Esses adereços acabam funcionando como uma “moeda de troca” para dependentes químicos em busca de droga.
Mas, principalmente, servem para o comércio ilegal de venda de bronze na hipótese de as placas serem de metal. Há famílias que estão instalando acríclicos para fugir dos furtos. Veja abaixo a situação de algumas sepulturas alvo de ladrões e de túmulos com manutenção precária:
Fotos: Leandro Ferreira/Hora Campinas

HISTÓRIA
Inaugurado em 1881 com o nome de Cemitério do Fundão, o Cemitério da Saudade recebeu este nome em 1924 e, por isso, chega ao seu centenário neste ano. Foi o primeiro cemitério público de Campinas, um dos primeiros do Brasil, e é onde estão enterradas desde pessoas comuns a figuras ilustres muito importantes para a história da cidade, históricas e populares.
Por abrigar jazigos e corpos de pessoas sepultadas nesta e em outras cinco necrópoles que foram transferidas para o local, é o maior cemitério campineiro e um dos maiores do País.
É também um museu a céu aberto, pelo acervo de arte tumular, pelas esculturas em mármore e demais materiais – granito, bronze, metal, cobre, latão – esculpidos desde o fim do século 19 por artistas de renome.








