As vezes que cruza em meu caminho o ginásio de esportes do Colégio Culto à Ciência, sempre dedico alguns minutos para contemplar e saudar em pensamento o bisavô que tanto me deixa orgulhoso e motivado a continuar fazendo do esporte parte essencial da vida.
Já são mais de 70 anos sem o professor Alberto Krum, cujo legado na educação física de milhares de alunos e esportistas continua gravado em Campinas, especialmente visível naquela construção inaugurada no início da década de 1950, localizada na esquina das ruas Hécules Florence e Culto à Ciência.
Inúmeras histórias ouvi sobre a sua personalidade, seus dotes esportivos e também as realizações tanto no campo educacional como administrativo, presidindo clubes em Campinas e Casa Branca – de onde veio em 1936 para substituir o professor Guilherme Hennings.
Minha avó, Mildred, que nos deixou aos 91 anos, relatava com orgulho sobre o empenho do pai no ensinamento de valores através do esporte.
Vovó teve a herança esportiva do pai. Nadou, correu, e sempre fez longas caminhadas nas redondezas da Vila Itapura.
As aulas de Educação Física de Alberto Krum passaram a ser mais articuladas. Calças, camisas e saias engomadas deram lugar a shorts e camisetas, relembram os familiares nas saudosas reuniões.

Seu envolvimento com o período esportivo em Campinas o colocou entre os mais elogiados presidentes que o Clube Campineiro de Regatas e Natação (CCRN) teve entre todos aqueles presidentes que enquadramos na parede. Entre os anos de 44 e 45, Krum fez do período na presidência do CCRN tempos de mudança em departamentos e na maneira de administrar as finanças da clube.
“Ele sempre pensou o clube, o colégio e as associações que dirigiu como redutos esportivos que iam além da prática, mas sim do caráter daquele que se dedicava ao esporte”, avalia Silas Krum, neto do educador.

Moral
Mesmo nos poucos registros escritos sobre ele, nota-se que em quase todos destaca-se o lema que costumava dizer, principalmente aos alunos: “O esporte caminha a par com a moral”.
E foi em Casa Branca que sua notoriedade no esporte ganhou espaço.
Lecionou na Escola Normal mais de uma década. Durante a Revolução Constitucionalista de 1932, iniciada em julho daquele ano, aplicou treinamento físico aos voluntários não reservistas que iriam seguir com as tropas paulistas para a Capital.
Em paralelo às aulas regulares e militares, Krum presidia a Associação Casabranquense de Cultura Phisica, e com verbas de quermesses angariava e aplicava verbas na construção de piscina, quadra de basquete e demais equipamentos esportivos na pequena cidade.
“O professor de ginástica da Escola Normal de Casa Branca, Alberto Krum permutou, por Decreto de 26 de agosto de 1936, o seu cargo com o professor Jorge Carlos Guilherme Hennings que desde 1904 vinha ministrando as aulas de ginástica no Ginásio de Campinas. O professor Alberto Krum tomou posse a 2 de setembro do referido ano, e ainda continua no exercício do cargo, em que se tem revelado um grande animador de esporte na mocidade”. (Trecho da monografia de Carlos Francisco de Paula)











