Sem dúvida, atualmente podemos sentir que somos prisioneiros do medo. O quadro é realmente preocupante e merece uma análise estratégica para encontrarmos as possíveis saídas. O fato é que quase ninguém aborda as causas reais da nossa fragilidade. Há um gravíssimo problema não atacado pela sociedade: o valor estratégico do saber e do pesquisar. E é dele que somos reféns.
Nosso problema está no preparo profissional e na educação para todos. A baixa importância que a nossa sociedade dá ao aprendizado é preocupante: os alunos estudam poucas horas, muitas vezes os professores são mal pagos e mal treinados, faltam bibliotecas públicas e poucos gostam de leitura como diversão. As famílias não incentivam seus filhos a ler ou a estudar com afinco. Dificilmente se vê na televisão, principalmente em novelas, alguém subir na vida por conta de bons estudos. Não há personagens infantis que frequentem a escola regularmente ou valorizem os estudos como forma de ascensão social.
O analfabetismo, que deveria ser uma vergonha nacional, como já era na Europa protestante no século XVIII, é encarado com naturalidade.
E para piorar as coisas, ainda temos quase 10 milhões de ‘nem nem nem’ (jovens que não estudam, nem trabalham e nem estão procurando emprego), que facilmente podem se tornar vítimas das gangues, tornando-se seus agentes do mal. Precisamos olhar urgentemente para os jovens do Brasil que estão nesta situação e criar soluções inteligentes para corrigir essa barbaridade, criando um organismo público-privado para resgatar esses jovens quase perdidos.
Além disso, o excesso de telas, redes sociais e videogames contribui para uma distração constante que afeta profundamente a capacidade de concentração e o interesse pelo aprendizado. As crianças e os jovens passam horas imersos em conteúdos digitais, muitas vezes de pouco valor educativo, o que agrava ainda mais o problema da educação.
A tecnologia, que poderia ser uma aliada na disseminação do conhecimento, acaba muitas vezes sendo uma barreira, afastando os estudantes dos livros e do estudo focado.
A educação de qualidade para todos é um imperativo em qualquer momento da história. Os países que mais investem em educação são os mais independentes e livres dessa situação vergonhosa. Essa é a única forma de construir crescimento com civilidade e autonomia. A produção do conhecimento, medida pelo número de patentes, mostra o quanto um país pode ser autônomo.
Para deixarmos de ser reféns em todos os sentidos, devemos nos unir aos governos municipais, estaduais e federal para resgatar os valores da pesquisa, do livro, da biblioteca, da escola, do bom professor, da feira científica, enfim, da boa educação para todos.
O desafio é grande, mas os resultados podem ser surpreendentes.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







