Com 48 óbitos confirmados e mais de 117 mil casos, a dengue continua sendo uma preocupação em Campinas. O município saiu da situação de emergência há quase dois meses, mas permanece em epidemia. Funcionários da empresa contratada para trabalhos de prevenção seguem relatando dificuldades cada dia maiores para realizar ações em imóveis.
Nesta terça-feira (30), a Secretaria de Saúde reforçou o alerta sobre a importância de ações contínuas durante o inverno para eliminar o mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença, incluindo a abertura dos imóveis para o controle de criadouros.
O trabalho em residências e comércios para eliminar focos do mosquito e conscientizar a população é realizado diariamente na cidade por funcionários da empresa Impacto Controle de Pragas. Eles usam camiseta laranja com logo da empresa e calça cinza, e líderes das equipes vestem camiseta verde com as mesmas características.
Dúvidas sobre a identificação podem ser esclarecidas pela população pelo telefone 156.
Um levantamento do Departamento de Vigilância em Saúde (Devisa) mostra que nas últimas semanas aumentou o percentual de imóveis inacessíveis aos agentes por estarem fechados, desocupados ou por impedimento dos moradores. O problema tem crescido pelo menos desde 2022, o que dificulta os trabalhos realizados no enfrentamento à doença.
Considerando-se as ações realizadas pela Pasta no primeiro semestre deste ano, o índice de inacessibilidade registrado ficou em 51,5%. Já nas primeiras semanas de julho, ele subiu para 52,2%. Em 2022 foi de 47,9% e no ano passado, de 49,2%.
Quais os riscos?
O coordenador do Programa de Arboviroses de Campinas, Fausto de Almeida Marinho Neto, explicou que a manutenção de trabalhos preventivos no período mais frio do ano contribuiu para evitar aumento de casos nas estações mais quentes. Segundo ele, há temor que muitas pessoas deixem de lado um hábito que passou a ser rotina no primeiro quadrimestre.
“Houve uma redução expressiva do número de casos de dengue, mas de forma alguma a preocupação com a dengue está resolvida em Campinas ou no Brasil. O país registra neste ano a maior epidemia da história e, por isso, precisamos manter os cuidados com objetivo de evitar aumento de transmissão na primavera e verão”, explicou Fausto.
“A melhor forma de prevenção é eliminar qualquer recipiente que possa servir de criadouro, principalmente em latas, pneus, pratos de plantas, lajes e calhas. Os ovos dos mosquitos podem resistir por meses no ambiente, reforçando a importância do descarte adequado de todo material em desuso que possa conter ovos e acumular água. É importante, ainda, vedar a caixa d’água e manter fechados vasos sanitários inutilizados. Separe dez minutinhos por semana, isso faz toda a diferença”, ressaltou o coordenador do Programa de Arboviroses.











