“Em nenhum outro lugar do mundo, um garoto gago, de uma pequena cidade poderia chegar ao poder”. Foi essa ideia que o atual presidente estadunidense pronunciou em um discurso. Quem te contou essa história, Joe Biden? Vamos aos fatos.
No Brasil, um metalúrgico foi presidente. Na Bolívia, um indígena. Enfim, se for feita uma rápida pesquisa podemos tranquilamente listar casos e mais casos. Ah, já sei…Tudo isso está por trás do mito dos Estados Unidos como terra da liberdade, não é mesmo? Há toda aquela forte ideologia que envolve a “América”, o país soberano, que seria o baluarte da liberdade mundial.
Mas será que o que é vendido é a América verdadeira, nua e crua? Ou é uma idealização? “Fazer a América grande de novo” é o mote de um candidato a presidente daquele país. Mas devo acrescentar que o plano é fazê-la “grande de novo” somente para determinada classe da população: o homem branco.
Nos Estados Unidos, negros e latinos são uma subclasse, considerados apenas ou para praticar esportes e “honrar” os Estados Unidos, ou para limpar banheiros e trabalhar na construção civil.
E as mulheres, bem, ainda não conseguiram chegar ao cargo mais alto do país. Sim, é verdade, alguns conseguem atingir o topo, são venerados e usados como exemplos. Mas e aqueles outros milhões que são os “invisíveis” da sociedade? Onde ficam? É melhor não lhes dar voz e esconder da mídia.
Os EUA, como nação imperialista, patrocinaram milícias, regimes e ditaduras em todo o planeta, o mais conhecido deles certamente é Osama Bin Laden, o antídoto contra a União Soviética que virou veneno contra seu criador.
Eu poderia escolher muitas formas de descrever a verdadeira “América” (*). Mas optei por escolher apenas palavras começando com a letra C do alfabeto. Acompanhe-me.
Consideração inicial: nos Estados Unidos, a questão da raça é mais exposta que a da classe social.
Crow (Lei Jim Crow). Jim Crow era um personagem de teatro que representava de forma racista os afro-americanos. A lei Jim Crow era uma lei segregacionista, uma espécie de “escravatura” made in USA que dividia os pretos dos brancos em lugares públicos como escolas, transportes, parques, hospitais, restaurantes e até mesmo o exército e perdurou até 1965! Tudo em prol do estilo de vida supremacista branco!
Cor – Sim, se você é branco (e homem), mais fácil será sua vida no país “livre”;
Classe – Assim você pode ascender mais facilmente, ser um empreendedor, ganhar a vida e ter empregados negros.
Consumo – É o país do excesso de consumo. Todos têm de ter muito mais do que necessitam.
Crédito – Necessário para financiar as altas taxas de consumo. O crédito também é importante para as empresas estenderem seu poder além do território estadunidense.
Capitalismo – É o país capitalista por excelência, e como tal, precisa espalhar continuamente seus tentáculos, por vias da diplomacia, do comércio ou da guerra, o que lhe convier.
Conflito – Para conquistar algumas regiões ou derrubar alguns regimes contrários à ideologia estadunidense, a via escolhida é a do conflito.
Cinismo – Usado para justificar todas as atrocidades cometidas pelo “país da liberdade”.
Cristianismo – Em conjunto com os supostos valores cristãos.
Clima – Para manter o padrão de vida estadunidense, que é de posses e consumo em excesso, é necessário destruir. Aniquilou-se primeiro toda a população originária, e depois o meio ambiente, sendo o país que mais poluiu a Terra na história, assim como o que mais liberou gases de efeito estufa.
Caridade – Os estadunidenses estão entre os maiores filantropos do mundo, talvez porque tenham vantagem fiscal na doação.
Listei os Estados Unidos (ressalto que é a visão imperialista da nação que ataco, e não a população), mas muitos países partilham do mesmo pensamento.
É que os Estados Unidos são a nação imperialista por excelência, e se buscarmos na história recente dos últimos 100 anos, percebemos que eles estão por trás de toda guerra – Vietnã, Iraque 1, Iraque 2, Afeganistão, Rússia-Ucrânia e por aí vai.
A França, que se orgulha da “liberdade, igualdade, fraternidade” cometeu ferozes atrocidades nas suas colônias nos continentes americano, africano e asiático. A China e a Rússia também carregam consigo o imperialismo em seu sangue.
* América é todo o continente americano; e americanos são todos os que vivem naquele continente. A forma correta de se referir ao país é “Estados Unidos da América” é aos seus habitantes “estadunidenses”.
Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero







