Os treinos dos cerca de 80 atletas com deficiência da Associação Paraolímpica de Campinas (APC) nas pistas e piscinas da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas já não são mais os mesmos desde que os irmãos Teodoro – Kesley, 31 anos, e Kétyla, 29 -, foram convocados para compor a equipe brasileira de atletismo que disputará as Paralimpíadas de Paris, a partir desta quarta-feira (28). Kesley disputará os 100 metros rasos e Kétyla, acompanhada do seu atleta-guia, Rodrigo Chieregatto, estará na pista para os 400m.
Os dois são multimedalhistas nacionais e internacionais. Nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016, Kesley ficou em quarto lugar. Kétyla, assim como o irmão, conquistou o 3° lugar nos jogos Pan-americano de 2019, o 5° nos jogos Paralímpicos Tokyo 2020+1 e, também, a 3ª colocação no Mundial Paralímpico de Atletismo em Kobe, no Japão, realizado entre os dias 17 e 25 de maio deste ano.
Nascidos em Rondônia, os irmãos praticam o atletismo desde 2012.
Nestes 12 anos, disputaram diversas provas, como salto em distância e lançamento de dardo. Segundo Luiz Marcelo Ribeiro da Luz, professor e gerente de projetos da Associação Paraolímpica de Campinas, no cenário atual e, considerando a complexidade das provas, o tempo conseguido por esses atletas do paradesporto está cada vez mais próximos dos registrados por aqueles que disputam o esporte olímpico.

“Hoje, para que um atleta pudesse guiar o Kesley na sua prova, lembrando que ele não precisa de guia, seria necessário que ele estivesse entre os quatro melhores do Brasil, com marcas entre 10″00 e 10″20. Quanto à Kétyla, que disputa uma prova mais longa, sua melhor marca de 57″88 se aproxima bastante das atletas olímpicas, que nas suas grandes margens encontram-se registrando tempos na casa de 55″00 a 56″00”, compara o treinador.
Há 12 anos Kétyla, que compete na classe T12, voltada para atletas de baixa visão agravada, iniciou a sua trajetória no esporte.
O esporte educacional inclusivo foi o que a levou ao esporte de alto rendimento. Ela, que representa a APC há cinco anos, torce para que esse projeto cresça e abrace cada vez mais atletas, uma vez que existem muitos deles ainda passando pelas fases de iniciação e formação na base da instituição.
Kesley, por sua vez, acredita no esporte como uma ferramenta transformadora que mudou toda a sua perspectiva de vida e de futuro, bem como a de sua família.

Ele destaca a importância da parceria com a Universidade para a profissionalização das pessoas desejam trabalhar com o esporte adaptado e com a inclusão social. “Nesse período de cinco anos representando a APC, nós participamos das Paralimpíadas e de dois Mundiais. E, tudo isso, começou na base. Agora, estou em Paris com o melhor resultado da minha vida, tentando alcançar algo com o qual eu sempre sonhei, que é a medalha de ouro”, emociona-se Kesley.
Atleta guia
Rodrigo Chieregatto, atleta-guia de Kétyla há sete anos, deseja fazer com que os sonhos dela se tornem realidade e, por isso, procura extrair da atleta os melhores resultados.
“Eu sempre digo que a Kétyla é a minha força e eu sou os olhos dela. Essa relação nos deixa muito mais próximos e a gente consegue se ajudar nessa busca pelos seus sonhos.”
É uma parceria profissional que exige plena confiança. “Eu tenho que acreditar no que ele me fala e ele precisa entender o que eu digo. Durante a prova dos 400m, ele vai narrando o que está acontecendo para eu me situar. Nós somos uma família e é assim que estamos caminhando rumo ao pódio. Já temos medalhas de Mundial e de Panamericano. Só falta a medalha paralímpica. E nós trabalhamos muito para que ela venha”, conta.

Vera Longuini/Divulgação
Esportes sem barreira
A atenção aos atletas paralímpicos é possível graças ao projeto Esportes Sem Barreiras realizado pela APC em parceria com a PUC-Campinas com financiamento do FIEC – Fundo de Investimentos Esportivos do Município de Campinas). Essa parceria começou em 2021 e conta, atualmente, com 80 atletas com deficiências física, intelectual ou visual nas modalidades atletismo (corrida, lançamento de Dardo, Disco e Pelota, entre outros) e natação. A idade deles varia de oito a 55 anos.
A parceria com a PUC-Campinas vai muito além da estrutura de treinamento no Campus I da universidade. Estudantes das mais diversas faculdades, como Educação Física, Fisioterapia, Medicina, Nutrição, Odontologia, Pedagogia, Serviço Social, Terapia Ocupacional e outras mais acompanham os atletas para atender todas as suas necessidades esportivas.
A diretora da Faculdade de Educação Física da PUC-Campinas, Giovanna Regina Saroa, explica que os alunos, dos mais variados cursos, participam do processo através do projeto de integralização. De um lado, os alunos auxiliam os atletas em suas respectivas áreas para que eles tenham o necessário para o seu máximo desenvolvimento e, de outros, os estudantes, adquirem um grande aprendizado em seu campo de atuação ao trabalhar com o esporte.












