Não é um super herói, mas acreditam nele.
Não faz nada de benéfico, mas o apoiam.
Não tem compromisso com ninguém, mas promete proteção.
É um assassino, mas não tem problema. Ele é considerado o grande ídolo, um verdadeiro mito.
Seu nome é Coringa, seu sobrenome é Morte!
Coringa é o candidato eleito pelo povo. Personagem que virou pessoa. A mentira em verdade!
Ele pode, além de matar, levantar uma multidão de assassinos, que se reconhecem nele.
Os Coringas são eleitos porque matam. Eles são eleitos para matar (Hitler foi diferente?).
Há uma vontade oculta na alma das pessoas, mas que cada vez aflora mais, torna-se evidente: que o diferente morra – fisicamente, identitariamente, que seja arrancada a sua vida, a sua alegria.
Súditos! Cegos! Confundem crença com verdade!
São treinados para acreditar na mentira, e não para o conhecimento. Contem-lhes as mais perversas, e eles se sentirão alimentados.
Canalhas! Doentes incuráveis! Criam nossos Coringas a cada tempo!
Vocês fedem o cheiro da morte, do assassinato inescrupuloso. Vocês cospem seus preconceitos da boca de uma maneira mais forte que um vulcão em erupção. Vejo em vocês o desejo latente da morte, da destruição, do ponto final. Vocês se revelaram! Suas máscaras caíram e posso ver a forma dos seus podres ossos.
Hoje, súditos do Coringa. Amanhã, a pior versão dele!
Alucinação coletiva! Anomalia? Ou normalização dos instintos assassinos?
O Coringa se veste de personagem, mas no fim da trama a representação de si se escancara. No tribunal da vida, o mito chora e mostra que é uma fraca farsa, alguém desprezível. Mas um súdito o matará e assumirá seu lugar, tornando-se uma criatura ainda mais pavorosa.
Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero







