Corrupção não é apenas a forma mais aviltante de corrosão democrática, mas é o maior crime praticado por parlamentares hediondos, que são uma força-tarefa da anarquia capaz de desorientar o país todo.
Culpamos os ministros da economia, quando o problema está nos eleitos para cuidarem das leis, só que legislam apenas em próprio benefício. Jogamos fora muitos recursos que vão para os bolsos desses mentirosos, por consequência, tiramos o futuro das crianças.
Vários contratos com órgãos públicos são afrontas ao nosso bom senso. Quando são investigados, descobrem superfaturamento em obras para empresas e indivíduos ligados à administração e, para a surpresa de todos, as fontes dos desvios são as emendas parlamentares.
Essas emendas parlamentares geram um terreno fértil para desvio de recursos que, bem aplicados, poderiam salvar muitos brasileiros da miséria, e também são instrumentos previstos na Constituição Federal, que permitem aos congressistas direcionar recursos do orçamento público para atender demandas de suas bases eleitorais. Em tese, elas são importantes para garantir que as necessidades das comunidades sejam atendidas. No entanto, o uso excessivo e a falta de transparência em relação a essas emendas têm gerado preocupações.
O problema está no crescimento cada vez mais exorbitante de seu uso, em uma proporção que nenhum país do mundo é comparável, sem contar que os mecanismos que permitiriam a transparência de seus gastos e a baliza técnica de sua efetividade, já foram desmantelados.
Em vez de focar nos problemas diretos da região que os elegeram os congressistas só atentam para a manutenção de sua clientela paroquial, fazendo com que um recurso importante para a democracia acabe por corroer a própria democracia, distorcendo a competição eleitoral e pulverizando gastos sem eficiência.
Além da corrupção em sentido amplo, a falta de transparência e compromisso com a nação é algo inaceitável e vergonhoso. Muitas vezes, não é possível saber como o dinheiro das emendas parlamentares está sendo gasto, o que dificulta a fiscalização e o controle por parte da sociedade. E, neste momento em que as crianças e jovens mais precisam de educação de alta qualidade, os recursos são desviados para projetos pessoais de senadores e deputados e suas famílias, sem que possamos saber para onde vai o dinheiro.
Diante desse cenário, a impunidade se torna a piada de mau gosto que ecoa nos corredores da política brasileira. Enquanto a saúde, a educação e a segurança agonizam, os recursos públicos escorrem pelos dedos dos corruptos, como areia movediça. Um país onde a justiça se curva diante do poder e a esperança se esvai como fumaça. Lamentável.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







