13 de janeiro de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Opinião

Artigo: Produtivismo e imediatismo da academia confundem o público – por Marcelo Yamashita

Redação Por Redação
17 de março de 2025
em Opinião
Tempo de leitura: 5 mins
A A
Artigo: Produtivismo e imediatismo da academia confundem o público – por Marcelo Yamashita

O Brasil contabiliza 1.461 pesquisadores listados. Foto: Freepik

“Vacinas não estão associadas ao autismo[..] Há 1,25 milhão de crianças estudadas e não existe autismo associado [à vacina] de sarampo!”. Esta é uma das falas do senador Bill Cassidy durante a sabatina no Senado norte-americano para confirmação de Robert Kennedy Jr (RFK Jr) como novo secretário de Saúde dos EUA. Ato contínuo, RFK Jr rebate: “Acho que um cientista de Louisiana, chamado Mawson, mostrou o oposto”.

A declaração negacionista de RFK Jr – vale ressaltar que inexiste a relação entre vacinas e autismo – é chocante por vir de uma pessoa que estará à frente das políticas de saúde dos EUA nos próximos anos. Porém, do ponto de vista do debate público, não chega a ser surpreendente. A pandemia evidenciou que uma parcela significativa do público não especializado tem uma visão equivocada sobre como se formam os consensos científicos, acreditando que são construídos democraticamente, através de assembleias, como se mais artigos favoráveis à Terra plana pudessem modificar o formato do planeta.

O objetivo aqui não é discutir o método científico ou o processo de formação de consensos entre os cientistas, mas analisar como o excesso de publicações científicas, aliado à queda na qualidade dos trabalhos, compromete a imagem da ciência. Esse cenário reforça, entre o público geral, a percepção de que o conhecimento científico é altamente instável, alimentando a impressão de que “um dia o ovo faz mal, no outro faz bem”. Nos últimos anos, proliferaram estudos baseados em correlações entre variáveis diversas que, isoladamente, pouco esclarecem sobre relações de causa e efeito. Muitas dessas correlações surgem por mero acaso, e a divulgação acrítica desses estudos pela imprensa tem intensificado o problema.

Mark A. Hanson e colaboradores publicaram um artigo que evidencia como a cultura do “publique ou pereça”, incentivada pela própria Academia, tem inundado a literatura científica com publicações de baixa qualidade. Embora esse excesso de artigos irrelevantes não cause grandes problemas dentro da própria comunidade científica, que em geral ignora os estudos ruins, ele contamina o jornalismo científico e distorce o debate público.

Entre 2016 e 2022, a publicação de artigos em grandes grupos editoriais como Elsevier, Springer, Wiley e Nature aumentou, respectivamente, 41%, 52%, 36% e 32%. Em números absolutos, essas quatro editoras publicaram, juntas, mais de um milhão de artigos apenas em 2022. No entanto, esses crescimentos são modestos quando comparados ao aumento expressivo da produção em editoras menos tradicionais, como MDPI, Frontiers e Hindawi, cujos números cresceram, no mesmo período, 1.080%, 675% e 139%, respectivamente.

O crescimento expressivo dessas editoras mais jovens foi impulsionado principalmente pela publicação de edições especiais (special issues), nas quais a organização fica a cargo de pesquisadores convidados. Inicialmente, essas edições eram predominantemente derivadas de conferências ou destinadas a aprofundar discussões sobre temas de grande interesse dentro de uma comunidade científica. No entanto, essa finalidade original parece ter sido deixada de lado, e as special issues passaram a ser utilizadas como uma estratégia para aumentar rapidamente o volume de publicações.

Em 2022, cerca de 90% dos artigos publicados pela MDPI saíram em edições especiais. Além disso, o tempo médio para a aceitação de artigos nessa editora foi de cerca de 37 dias, um período significativamente menor do que a média da maioria das editoras tradicionais, que ultrapassa 130 dias. Mesmo entre outras editoras jovens que tiveram rápido crescimento, como Frontiers e Hindawi, os prazos médios de aceitação são consideravelmente maiores, ficando em torno de 72 e 83 dias, respectivamente.

É fato que a qualidade de um artigo não depende do periódico em que foi publicado, e a comunidade científica tem a capacidade de separar o joio do trigo, ou seja, os cientistas, em geral, são resilientes à poluição editorial, o que impede que isso cause danos significativos a grupos de pesquisa. O problema surge quando conclusões equivocadas de estudos malfeitos chegam à esfera pública. A falta de repertório diversificado, a abordagem acrítica e uma certa dose de “ignorância conveniente” – expressa, por exemplo, na ideia de que um jornalista não pode questionar a qualidade do estudo de um professor – fazem com que qualquer matéria publicada em um veículo conhecido, independentemente da qualidade do estudo original, seja amplamente replicada em diversas mídias, amplificando desinformações e distorções.

A abundância de artigos bons e ruins, que para o público não especializado parece formar um todo homogêneo – onde diariamente surgem supostas curas para o câncer ou alertas sobre produtos que causam Alzheimer –, leva à perda de confiança na ciência ou à formulação de um conceito subjetivo e distorcido do que é ciência. Raramente o leitor atribui a culpa por conclusões equivocadas a uma curadoria falha, e o ônus recai sobre os cientistas.

Neste ponto, talvez seja possível estabelecer um paralelo com os egressos das universidades, sejam de pós-graduação ou graduação. Como noticiado pela Agência Fapesp, as universidades públicas paulistas e a Fapesp pretendem alinhar ações para fazer com que a pós-graduação e, por tabela, as universidades públicas, se torne mais “atrativa, diversificada e compatível com as demandas sociais”. O debate sobre a “crise de identidade” ocorreu durante o seminário “As transformações esperadas na pós-graduação brasileira”, realizado na USP.

Conforme escrevi no artigo “Pós-graduação brasileira: crise ou confusão?”, os números não apenas indicam que não existe uma grave crise na pós-graduação brasileira, mas também revelam um crescimento no número de matriculados, redução da evasão e expansão da oferta de cursos em todas as regiões do país.

Da mesma forma, os números das editoras apresentados aqui demonstram que a quantidade de artigos científicos tem aumentado exponencialmente. Talvez, portanto, o que merece a nossa reflexão não é uma suposta crise generalizada, mas sim a diminuição do interesse pelas universidades públicas e o consequente aumento de vagas ociosas – aquelas que permanecem vazias por falta de candidatos.

A oferta de cursos de ensino superior cresceu significativamente, sobretudo com a expansão do ensino a distância, intensificando a concorrência no setor. Assim como a enxurrada de publicações científicas de qualidade duvidosa compromete a percepção pública sobre a ciência, a proliferação descontrolada de cursos superiores enfraqueceu o prestígio da universidade como um indicador confiável de qualificação. Hoje, um diploma universitário tem valor de mercado muito menor do que há 30 anos. Como consequência, empregadores passaram a adotar outros critérios para avaliar a competência dos candidatos.

Não se deve perder de vista, portanto, que a função primordial da universidade é ser a melhor fonte de conhecimento, capital humano e de ideias inovadoras – que poderão ser assimilados pela sociedade e usados por empresas, governos etc. para resolver os mais diversos problemas. Essas qualidades surgem naturalmente em cursos de excelência.

É fundamental, no entanto, ter cautela diante de mudanças que buscam atender a demandas frágeis e passageiras da sociedade. Talvez a resposta para a crise de identidade da universidade e para a credibilidade da ciência não esteja em criar soluções mirabolantes, mas em garantir que a Academia volte a exercer seu papel essencial: ser uma curadora criteriosa dos profissionais e das ideias que dela saem.

 

Marcelo Yamashita é professor do Instituto de Física Teórica (IFT) da Unesp e membro do Conselho Editorial da Revista Questão de Ciência.

 

*Artigo originalmente publicado na Revista Questão de Ciência

Tags: ArtigoArtigosciênciacritériosHora CampinasinformaçõesOpiniãopesquisapublicaçõessaúdeseleçãouniversidade
CompartilheCompartilheEnviar
Redação

Redação

O Hora Campinas reforça seu compromisso com o jornalismo profissional e de qualidade. Nossa redação produz diariamente informação em que você pode confiar.

Notícias Relacionadas

Artigo – Doação x investimento social: o próximo passo para fortalecer o terceiro setor e gerar valor para a economia – por Lúcia Decot Sdoia
Opinião

Artigo – Doação x investimento social: o próximo passo para fortalecer o terceiro setor e gerar valor para a economia – por Lúcia Decot Sdoia

Por Redação
12 de janeiro de 2026

...

Artigo: Por uma bússola moral para o País – por Ives Gandra da Silva Martins
Opinião

Artigo: Por uma bússola moral para o País – por Ives Gandra da Silva Martins

Por Redação
11 de janeiro de 2026

...

Trump diz que EUA vão administrar Venezuela até “transição segura”; Chile, México e Colômbia repudiam

Artigo – EUA x Venezuela: os limites entre o direito à guerra e o combate ao crime organizado – por Celeste dos Santos

10 de janeiro de 2026
EUA inauguram nova fase de intervenção na América Latina com invasão à Venezuela

Artigo: A soberania como desculpa para a cegueira moral – por Rosana Valle

10 de janeiro de 2026
Artigo: O papel da tecnologia na reinvenção do marketing para a indústria de alimentos – por Aline Alexandrino

Artigo: O papel da tecnologia na reinvenção do marketing para a indústria de alimentos – por Aline Alexandrino

9 de janeiro de 2026
Artigo: Férias com mais terra e menos telas! – por Paula Mazzola

Artigo: Férias com mais terra e menos telas! – por Paula Mazzola

8 de janeiro de 2026
Carregar Mais















  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Policial baleado durante folga em Campinas morre após uma semana internado

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher é encontrada morta em residência de Campinas e polícia prende companheiro por oferecer drogas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Morador de Valinhos morre afogado em praia do Guarujá

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.