Seria possível banhar-se na mesma, no mesmo rio por ao menos duas vezes? Dou início a essa nossa reflexão analítica e filosófica em relação ao tempo e seus impactos em nossa vida. Irei trazer para nossa conversa um grande pensador da Antiga Grécia, chamado Heráclito de Éfeso. Você aceita estar ao meu lado para pensarmos sobre esse tema juntos? Ótimo, então não percamos mais tempo.
“É impossível banhar-se duas vezes no mesmo rio, e o motivo é simples: nem a água é a mesma, nem nós somos os mesmos, ou seja, tudo flui”. E é com essa célebre frase, ouso dizer a mais famosa de Heráclito, filósofo pré-socrático, que dou início a essa reflexão acerca do tempo e da proposta de fluidez do mesmo em nossa vida. O tempo cura? Essa é uma pergunta pertinente e valiosa nos dias de hoje, em uma geração de pessoas acometidas por doenças emocionais, como ansiedade, depressão, angústia, dentre tantas outras que infelizmente as pessoas não descobrem, não diagnosticam em si, por preconceito de buscar a ajuda qualificada como a de um psiquiatra e um terapeuta.
Ao expor que tudo flui, Heráclito nascido na cidade de Éfeso, se opôs a teoria de Parmênides, que defende que nada é imutável, tudo permanece. Heráclito expondo sobre a fluidez do tempo acaba por nos incluir na questão cronológica e é possível perceber isso em sua frase, já que quando entramos no rio, nós somos uma pessoa X e assim também é o rio, ao sairmos já não somos mais o mesmo que entrou, já somos Y e nem o rio é, pois este já está em percurso e se insistirmos em adentrar nele novamente, já nós seremos outro, seremos Z, assim como o rio será outro e o ciclo se repete.
Heráclito foi muito assertivo em utilizar de modo didático tal exemplo, pois ele remete justamente a sua tese, a de que TUDO está em constante movimento, queira você e eu aceitar ou não, estamos nós inseridos nele. A fluidez, segundo Heráclito é permanente e ocorre segundo a segundo, sem trégua, sem pausa, é como um relógio que não para por falta de bateria e/ ou pilha…
A tese de Heráclito, no que diz respeito à cura pelo tempo é interessante de ser ponderada, pois ela nos faz ter a esperança de que o que hoje está ruim em nossa vida ‘amanhã’ pode estar melhor. Seria uma visão otimista, rasa, mas válida, sendo importante ressaltar que assim como o rio para fluir não depende de nós, assim também é o tempo para conosco, somos insignificantes para sua fluidez, assim como nossos problemas, nosso literalmente no singular, cada um com o seu. Então nos resta fazermos a nossa parte e ter a ‘boa fé’ de que a fluidez do tempo nos favoreça, leve o que acomete nossa saúde física e emocional, e nos forneça a possibilidade de crescer, de amadurecer a partir de tais situações que outrora tiraram nosso sono, que nos fizeram recorrer a medicamentos, a terapia, que nos fizeram entrar de cabeça em um quadro de depressão.
Já pensou como seria adotar como verdade absoluta a tese de Parmênides? Uma tese defendendo que tudo permanece tal qual como é, como sempre foi e como sempre será… Como seria isso aplicada a esperança de cura do corpo e da alma, inseridas na questão cronológica?
Seria desanimador, angustiante saber que nada iria melhorar, que não importa o que fizesse, tudo permaneceria igual, tudo permaneceria em um estado de uma forma de doença mental? A brecha que temos nessa tese de Parmênides é nos ampararmos na tese de Heráclito que defende que tudo flui, e assim esperarmos por um novo resultado trazido pelo tempo e também criado por nós, através de nossos esforços.
Heráclito defendia a sua teoria também chamada de “teoria do devir”, onde expressou que “Nada é permanente exceto a mudança”. Talvez, se deixarmos a esperança de lado e cruzarmos os braços, o que nos resta é a angústia pelo devir, pelo que não temos controle algum, que pode ser acalentador bem como pode vir a ser desanimador, só piorando nosso estado emocional o que vem a comprometer ainda mais nossa saúde e sanidade mental.
Pensando nessa teoria filosófica de Heráclito, na análise de nossas ações e emoções, de ações e consequências, como você encara, minha querida leitora, meu caro leitor, essa tese de Heráclito no que diz respeito a fluidez de nossa saúde física, mental e emocional, uma vez que estamos submetidos ao tempo e suas contingências, seus ‘acasos’? Não se aprece em responder, lembre-se de que enquanto você pensa, segundo Heráclito, nem seus pensamentos, nem você são mais os mesmos, tudo é escapadiço…
Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL) – Instagram @institutopontes_oficial







