No mundo atual, mais do que nunca, precisamos priorizar uma economia sustentável e responsável, em vez de uma economia baseada na ostentação e no consumo desenvolvido.
Quando se fala em sustentabilidade, geralmente pensamos apenas na preservação ambiental, no entanto o conceito é mais amplo. A palavra “sustentável” tem origem no latim sustinere, que significa “manter”, “sustentar” ou “defender”. Este conceito, de interpretação dinâmica, teve várias versões ao longo dos anos, sendo o âmbito econômico, o que enquadrou a definição em 1972, mas precisamos pensar no significado mais profundo, que se conecta diretamente com a ideia de preservar a vida em todas as suas formas.
Ao longo do tempo, o conceito de sustentabilidade evoluiu. Em 1987, foi fundada a Rainforest Alliance, uma organização não governamental internacional presente em mais de 20 países, com operações em mais de 70. Sua missão é “criar um mundo mais sustentável usando forças sociais e de mercado para proteger a natureza e melhorar a vida de agricultores e comunidades florestais”.
O trabalho da Rainforest Alliance inclui certificações e programas de desenvolvimento social e conservação ecológica. No Brasil, a Daterra Coffee foi pioneira nessa certificação, em parceria com o Imaflora (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), que é responsável pela Rainforest Alliance no Brasil.
Durante uma conferência de Joanesburgo, em 2002, a sustentabilidade passou a ser abordada sob três dimensões integradas: econômica, social e ecológica. A economia tornou-se o núcleo da abordagem, cercada pela esfera social e, externamente, pela ecológica, que agrega e conecta os demais.
Essa nova visão resultou em duas vertentes: a falha na sustentabilidade, que defende apenas a reposição dos recursos consumidos; e a sustentabilidade forte, que exige a manutenção e regeneração dos recursos naturais, associando essa prática ao capital humano e ao patrimônio ambiental.
A partir dessa evolução, a sustentabilidade passou a ser vista como uma responsabilidade estratégica e competitiva, especialmente no mundo dos negócios. Hoje, as empresas são desafiadas a construir cadeias não só de valor, mas de sentido, alinhando práticas sustentáveis ao crescimento de longo prazo.
Investir eticamente não é mais uma opção, mas é, sem dúvida, uma obrigação. Os eventos climáticos extremos, que estamos presenciando, nos alertam que o tempo de espera já passou. Precisamos agir agora, construindo uma nova lógica econômica: a economia da sustentabilidade.
Essa consciência não pode ser tratada como uma oportunidade, mas como uma resposta ética a uma necessidade global. Esta visão se alinha com as necessidades de uma estratégia, que olha os riscos sociais e ambientais como uma oportunidade de mostrar para o mundo o quanto o Brasil é importante e necessário.
Com nossos ativos ambientais e nossa experiência no agro sustentável, podemos nos tornar referência internacional. Uma postura sustentável, quando construída verdadeiramente pelas organizações, pode se transformar em uma vantagem competitiva extraordinária, desde que esteja integrada a uma única estratégia: a preservação da vida.
Devemos abandonar a lógica do ‘consumo investido’, aquele que tem o objetivo de impressionar e diferenciar-se dos outros. Precisamos investir muito nessa economia verde para defender o planeta, nossos filhos e nossos netos.
Mais do que uma escolha, defender o planeta é um compromisso inadiável com o presente e com as próximas gerações.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







