As redes sociais têm-se tornado um dos maiores desafios contemporâneos à liberdade individual e ao diálogo significativo. Em resumo, um futuro sem sonhos construtivos. Elas alteram profundamente a forma como nos relacionamos, sentimos e até como pensamos. A sua influência ultrapassa o entretenimento: condiciona decisões, afeta emoções e transforma a convivência social.
A inteligência artificial, particularmente os chamados LLM (Large Language Models), mais conhecida como IA, agrava esta realidade. Se, por um lado, facilitam o acesso à informação, por outro, podem empobrecer a comunicação, padronizar respostas e obscurecer a verdade com conteúdos gerados sem base empírica ou ética.
O livre-arbítrio é afetado, não apenas pelas mensagens que recebemos, mas também pela forma como são apresentadas. Os algoritmos operam em silêncio, moldando interações e criando bolhas informacionais. Esse uso intenso dificulta o pensamento crítico e reduz a empatia, enquanto a busca por validação, por meio de likes, promove uma felicidade artificial e frágil.
Os adolescentes apresentam maior risco de ansiedade e depressão, devido ao uso excessivo das redes sociais. Mais da metade dos jovens sente exaustão mental.
Em resposta a este cenário, o governo brasileiro adotou medidas concretas: desde janeiro de 2025, uma nova legislação proíbe o uso de celulares em salas de aula e corredores escolares, salvo exceções.
Nesta sociedade hiperconectada, as ideias de Montesquieu, pensador do Iluminismo, mantêm-se surpreendentemente atuais. Ele alertava para os perigos da corrupção moral, da centralização do poder e da perda de princípios — uma reflexão que encaixa perfeitamente na realidade digital que vivemos. A sua defesa da liberdade e da ética como pilares sociais deveria inspirar o nosso comportamento online.
A incessante comparação com os outros, o culto ao sucesso aparente e à acumulação de bens são sintomas de um vazio existencial que as redes apenas ampliam. A saúde mental dos jovens está em risco. Estudos associam o uso descontrolado das redes a transtornos como TDAH, ansiedade e depressão, além de um aumento no risco de suicídio.
Precisamos reencontrar o equilíbrio. Isso passa por políticas públicas, educação digital e sobretudo por uma nova consciência coletiva. É urgente repensar os nossos valores. Queremos uma sociedade orientada por princípios éticos?
O filósofo Montesquieu continua a oferecer as ferramentas para esta reflexão. Que o seu espírito crítico inspire novas formas de convivência — mais humanas, mais livres e mais conscientes. Um diálogo contínuo sobre esse tema é essencial para promover sociedades mais justas e felizes, onde a ética rege as ações dos governantes, e onde a felicidade é vista como um bem coletivo, não apenas individual.
A obra de Montesquieu nos instiga a questionar e a buscar um equilíbrio mais saudável em nossas vidas e nas estruturas sociais.
Mais Montesquieu. Menos LLM. Mais escuta saudável e presença.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







