Vivemos um tempo em que a inteligência artificial está em toda parte. Ela escreve textos, responde perguntas, monta estratégias e até antecipa necessidades. Mas, quanto mais as máquinas evoluem, mais percebemos o valor daquilo que nenhuma tecnologia consegue substituir: a presença humana. Nada é mais poderoso do que a sensação de estar diante de alguém real, disponível, atento. E é justamente por isso que, neste novo cenário, a verdadeira influência não nasce mais de fórmulas ensaiadas ou de técnicas frias. Ela brota das relações. Cresce quando há vínculo. Se sustenta quando existe confiança.
A persuasão, que por muito tempo foi vista como um conjunto de técnicas para convencer, agora precisa ser muito mais cuidadosa e profunda. Vivemos na era da transparência, da busca por autenticidade, da intolerância à manipulação.
Se antes o que funcionava era saber usar bem os argumentos certos, hoje o que realmente toca as pessoas é a presença verdadeira, a escuta ativa, a intenção limpa por trás da fala. E aqui entra um ponto importante. Como fonoaudióloga especializada em oratória executiva, sempre valorizei os recursos de persuasão. Mas faço isso com um cuidado enorme para que cada ferramenta esteja a serviço da verdade, e nunca da manipulação.
O livro “As Armas da Persuasão”, de Robert Cialdini, é um clássico quando falamos sobre influência. Ele apresenta gatilhos mentais como escassez, reciprocidade, autoridade e prova social. São ferramentas poderosas, sim. Mas, se forem usadas de forma automática ou com a intenção errada, perdem completamente o valor. Pior ainda, podem colocar a credibilidade em risco.
Hoje, a confiança é o solo onde qualquer influência precisa ser construída. Sem ela, nenhuma técnica se sustenta. Sem ela, qualquer tentativa de persuasão soa forçada, desconectada, artificial.
A nova persuasão pede consciência. Ela exige que você fale com clareza, posicione suas ideias com verdade e esteja disposto a ouvir o outro com interesse genuíno. Não se trata mais de usar gatilhos para convencer a qualquer custo, mas de construir pontes. De gerar compreensão. De abrir espaço para que o outro queira te ouvir, porque sente que sua fala tem raiz. Que seu argumento tem alma. Que suas palavras carregam presença.
Quando você comunica desse lugar, mesmo as conversas difíceis se tornam oportunidades de conexão. A persuasão passa a ser um reflexo natural da relação que você constrói, e não de um esforço ensaiado para impressionar.
Quero te deixar com uma pergunta simples e honesta: como anda sua comunicação neste novo tempo?
Em meio a tanta informação, o que te torna memorável não é o quanto você fala, mas o quanto você toca. A influência de verdade não está na fala perfeita. Está na fala que tem intenção, escuta e afeto. Está na sua capacidade de ser humano em cada palavra. Porque na era da inteligência artificial, quem se comunica com alma é quem mais se destaca.
Cecília Lima é fonoaudióloga, especialista em Oratória e Comunicação para Líderes. Há 20 anos, dedica-se a guiar líderes a colocarem suas ideias com confiança, clareza e assertividade, conquistando a influência que precisam para crescerem na carreira e na vida. Conheça:@cecilialimaoratoria







