Na última quarta-feira, tive o prazer de almoçar e ouvir o ex-vice-presidente dos Estados Unidos, ativista ambiental e Prêmio Nobel da Paz, Al Gore. Fiquei impressionado com sua jovialidade aos 77 anos e com sua dedicação incansável em salvar a vida do planeta, diante das mudanças climáticas e da crescente falta de respeito que temos demonstrado pela natureza.
Como a serendipidade, essa sequência de felizes coincidências, está sempre presente na minha vida, tive o privilégio de, ao chegar ao encontro, subir no elevador com ele. Já nas apresentações iniciais, ele me surpreendeu com energia na voz, firmeza nas ideias e movido por um senso de urgência, como quem sabe que o tempo é curto e que precisamos agir juntos na defesa do meio ambiente e da natureza.
O encontro reuniu outras 10 pessoas que, assim como eu, tiveram a oportunidade de ouvi-lo. Al Gore falou por aproximadamente uma hora e meia, num momento de escuta marcante. Ao final, deixou em todos nós a vontade de continuar ouvindo suas palavras tão envolventes. Posso garantir que tudo o que ele disse fez sentido, e seu entusiasmo em cuidar do planeta nos cativou e encantou.
Durante o encontro, ele nos contou que também passará três dias no Rio de Janeiro, onde terá conversas intensas sobre o tema das mudanças climáticas e sobre como cada um de nós pode contribuir, fazendo a sua parte para ajudar o mundo.
A maior surpresa foi ouvi-lo falar do Brasil com uma alegria carregada de esperança, com uma confiança quase desconcertante. Al Gore defende o nosso País em todas as dimensões e acredita que o Brasil pode ser um grande exemplo para o mundo na questão climática. Ele reconhece que já temos muitos projetos desenvolvidos aqui, por brasileiros, com potencial real para reverter o cenário de descontrole climático que afeta o planeta, incluindo o nosso próprio território.
Al Gore aproveitou a oportunidade para discutir os riscos que ainda estamos correndo, que podem trazer novos problemas semelhantes aos que vimos no Rio Grande do Sul. Ele alertou para o que está acontecendo em biomas mais complexos, como o Cerrado, onde, de uma hora para outra, um rio aéreo surge no céu e provoca chuvas torrenciais em ciclos de três horas, algo sem precedentes no passado. Esses rios aéreos estão mudando a forma como devemos encarar e enfrentar essa questão climática.
Antes de encerrar este texto, preciso dizer o quanto me senti privilegiado por ter participado desse encontro. Ao vê-lo tão enfático na defesa do clima, com um senso admirável de responsabilidade e compromisso com o futuro do planeta, ficou claro para mim o quanto ele mereceu o Prêmio Nobel da Paz.
Mais do que compartilhar conhecimento, Al Gore semeou em todos nós a responsabilidade e o desejo de fazer mais pelo planeta, por nós, nossos filhos e netos.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







