A filantropia, como a conhecemos hoje, começou a ganhar forma no final do século passado, quando os primeiros líderes sociais passaram a se sensibilizar com os danos causados pela industrialização e urbanização. Desde pequeno, fui apresentado à filantropia, quando ia com meus pais ao Orfanato Dom Nery e ao Lar dos Velhinhos. Essa experiência mudou para sempre meu olhar do mundo.
Desde então, inúmeras formas de ajuda ao próximo passaram a permear nações e sociedades. No Brasil, podemos destacar os hospitais criados por comunidades imigrantes, as Santas Casas de Misericórdia e as escolas ligadas às igrejas. Com o tempo, a atuação social se expandiu para novas áreas, sobretudo a infância e a juventude. Mais recentemente, a filantropia ganhou rotas inovadoras, sinalizando um novo mundo de esperança e um repensar estratégico sobre o papel de cada cidadão.
Dar esmola ou simplesmente pôr a mão no bolso começou a ceder espaço ao fazer acontecer, ao pôr a mão na massa. Hoje, vemos jovens atuando em grupo como protagonistas da transformação social: enfrentando a evasão escolar, promovendo trotes solidários, liderando ações cidadãs. Essa nova forma de filantropia não nega as anteriores; pelo contrário, agrega, amplia e dá nova vida ao ato de doar. Retira o caráter estritamente monetário da ação e o reveste de significado voluntário e social.
As empresas, por sua vez, adaptam-se para responder às exigências de um consumidor mais atento e exigente, quanto à ética corporativa. A responsabilidade social ganha espaço na agenda de líderes empresariais e se torna parte da estratégia de recursos humanos. A filantropia atinge seu auge quando executivos unem competências em torno de causas sociais, contribuindo não apenas com recursos, mas com conhecimento e gestão.
A verdadeira força da filantropia está na sua capacidade de inspirar movimentos coletivos. Quando comunidades inteiras se envolvem em causas comuns, surgem redes de solidariedade capazes de transformar territórios e mentalidades.
É nessa dinâmica que a filantropia se encontra com a educação cidadã, promovendo o senso de pertencimento e o compromisso com o bem comum. Seja por meio de projetos locais, iniciativas de impacto global ou parcerias público-privadas, a filantropia moderna se consolida como um elo vital entre o capital, o conhecimento e a compaixão.
Em 2025, o campo da filantropia no Brasil e no mundo é marcado por agendas renovadas: emergência climática, mental e social, modelos de financiamento mais confiáveis, uso de dados com finalidades públicas e integração efetiva entre impacto e estratégia empresarial.
As novas faces da filantropia, hoje chamadas de responsabilidade social e cidadania ativa, representam uma verdadeira revolução de valores. Um movimento profundamente saudável para a sociedade e essencial para o futuro da nação e que exige o envolvimento de cada um de nós.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







