13 de janeiro de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Home Colunistas

O deus-mercado é racista – por Luis Felipe Valle

A luta antirracista é, também, anticapitalista

Luis Felipe Valle Por Luis Felipe Valle
21 de novembro de 2025
em Colunistas
Tempo de leitura: 5 mins
A A
O deus-mercado é racista – por Luis Felipe Valle

Foto: Freepik

O racismo estrutural não aparece só na violência aberta contra pessoas pretas e pardas. Ele age de forma silenciosa quando naturaliza que essas populações, herdeiras de um passado escravocrata, sejam empurradas para os piores trabalhos, para a falta de oportunidades e para a pobreza que já parece parte do cenário. A herança do colonialismo escravocrata ainda define quem tem acesso a oportunidades e quem permanece nas margens, não por escolha, mas por uma organização social construída sobre exclusões antigas que seguem operando no presente.

Quando a meritocracia aparece como explicação universal para o sucesso, ela ignora que muitos começam a corrida com séculos de vantagem. Fortunas acumuladas graças à exploração racial continuam rendendo dividendos aos descendentes de quem nunca precisou disputar espaço, enquanto famílias negras carregam o peso de uma história em que direitos básicos são negados por gerações.

Quem herdou riquezas construídas com exploração racial tem vantagens absurdas, enquanto descendentes de pessoas escravizadas ainda correm atrás de direitos básicos. Falar em esforço individual sem olhar para essa história é pura desonestidade e estratégia de anestesia às lutas sociais antirracistas e anticapitalistas.

O Brasil revela isso sem sutileza. Segundo o IBGE, trabalhadores brancos ganham, em média, 70% a mais que negros, que são a maioria nos trabalhos precarizados e de menor prestígio social. Um abismo que nenhum “esforço individual” consegue explicar sozinho. Além disso, a violência tem cor e alvo definidos: o Atlas da Violência aponta que 76% das vítimas de homicídio no país são negras. Somos um dos países mais racistas e desiguais do mundo porque insistimos em tratar esses números como normalidade, e não como uma tragédia planejada.

 

Ilustração: Freepik

 

Nos EUA, a “terra da liberdade”, não é diferente. Em plena década de 1960, enquanto se celebrava o “american way of life”, lideranças como Martin Luther King Jr., Malcolm X e Angela Davis enfrentavam não só a violência direta de grupos racistas, mas também leis e práticas de segregação. A renda das famílias negras, na época, mal chegava à metade da renda das famílias brancas. Décadas depois, a desigualdade permanece, revelando que o capitalismo estadunidense sempre distribuiu liberdade e prosperidade de maneira seletiva.

Movimentos liderados por pessoas pretas, no Brasil ou fora dele, foram e continuam sendo estigmatizados, demonizados, invisibilizados e criminalizados.

Nelson Mandela foi preso por lutar contra o apartheid na África do Sul. Angela Davis foi perseguida por denunciar o Estado racista nos EUA. Malcolm X e Luther King foram assassinados por chamarem o povo à luta pela democracia legítima, para além da ilusão de liberdade e igualdade através do enriquecimento.

Carlos Marighella foi preso, torturado e assassinado por lutar contra a ditadura no Brasil, assim como Zumbi dos Palmares, ao enfrentar as elites escravistas, em 20 de novembro de 1695 . O que essas trajetórias revelam é a dificuldade histórica de aceitar que a crítica ao racismo é, ao mesmo tempo, uma crítica ao próprio sistema que o sustenta.

No mundo neoliberal, essa crítica se dilui em discursos que reforçam a responsabilização individual, o identitarismo e a atomização da sociedade. A ideia de que “o empreendedorismo resolve tudo” convence muitos a acreditar que superar desigualdades depende apenas de esforço pessoal, de força de vontade e de fé. Nesse discurso, a luta coletiva perde espaço para histórias de superação que camuflam as barreiras reais que continuam impedindo a maioria de avançar.

Essa visão ignora condições de vida profundamente desiguais. Milhões de brasileiros vivem em áreas sem saneamento básico, com escolas precárias, atendimento de saúde limitado e presença constante de violência – seja do crime organizado, seja de polícias milicianas, pastores mercenários e empresários oportunistas. Quando denunciam essas dificuldades, são muitas vezes acusados de vitimismo ou falta de vontade. Assim, problemas estruturais são reinterpretados como falhas individuais, o que serve mais para aliviar a consciência das elites do que para enfrentar as desigualdades.

Ao mesmo tempo, pessoas pretas e pardas ocupam posições fundamentais na economia, mas continuam recebendo os salários mais baixos e tendo menos acesso a espaços de poder. As mulheres negras sofrem ainda mais: acumulam as consequências do racismo e do machismo e enfrentam obstáculos que raramente são reconhecidos com a seriedade que merecem.

Há ainda um movimento de transformar algumas figuras negras em símbolos de sucesso para reforçar que o sistema seria “justo”. São histórias de ascensão apresentadas como prova de que “basta se esforçar”, quando, na prática, funcionam como exceções calculadas. Uma covardia que se manifesta na objetificação e mercantilização de pessoas escolhidas e produzidas para representar o sucesso do empreendedorismo – desde que jurem lealdade, obediência e gratidão eterna a seu benfeitor, quase sempre branco e rico.

O racismo não é um desvio de percurso do capitalismo, mas parte de seu funcionamento histórico. A exploração econômica sempre precisou de justificativas para definir quem ocuparia as posições de trabalho mais duras e menos valorizadas. A raça foi uma dessas justificativas, convenientemente usada para manter hierarquias que interessavam a quem acumulava riqueza. Sem essa lógica, o capitalismo perderia parte essencial de seu funcionamento.

Esse processo se apoia em uma tradição europeia que, por séculos, utilizou narrativas religiosas e pseudocientíficas para afirmar a superioridade de alguns povos sobre outros. Essa visão moldou instituições, naturalizou privilégios e criou padrões de humanidade em que muitos não eram considerados plenamente humanos. Embora as justificativas tenham mudado, seus efeitos continuam presentes.

 

Foto: Freepik

Se o racismo foi institucionalizado por Estados e impérios ao longo de séculos, seu enfrentamento exige ações igualmente estruturais. Políticas de reparação, redistribuição de renda, acesso real à educação e ao trabalho digno não são concessões, mas passos necessários para corrigir desigualdades históricas que não desaparecerão sozinhas. Combater o racismo é enfrentar o modo como a sociedade organiza seus recursos, suas prioridades e seus privilégios.

Por isso, superar o racismo implica repensar o modelo social baseado em competição e acúmulo. Significa construir formas de convivência que valorizem a cooperação, a dignidade humana e a igualdade radical de direitos e oportunidades.

A luta antirracista, para ser efetiva, não pode se limitar a gestos individuais; precisa enfrentar a lógica econômica que alimenta a desigualdade. Uma luta urgente e legítima, mas que só alcançará seu fim quando subverter o capitalismo que alimenta e lucra com o racismo.

 

Luis Felipe Valle é professor universitário, geógrafo, mestre em Linguagens, Mídia e Arte, doutorando em Psicologia

Tags: colunistasdiversidadeHora CampinasigualdadeLuis Felipe Valleluta antirracistamercadotolerância
CompartilheCompartilheEnviar
Luis Felipe Valle

Luis Felipe Valle

Versões e subversões

Notícias Relacionadas

Será que você ainda cabe onde você está? – por Thiago Pontes
Colunistas

Será que você ainda cabe onde você está? – por Thiago Pontes

Por Thiago Pontes
13 de janeiro de 2026

...

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza
Colunistas

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

Por Carmino de Souza
12 de janeiro de 2026

...

Existem países democráticos? – por Luis Felipe Valle

Existem países democráticos? – por Luis Felipe Valle

10 de janeiro de 2026
Quando a diplomacia falha, todos perdem – por Luis Norberto Pascoal

Quando a diplomacia falha, todos perdem – por Luis Norberto Pascoal

9 de janeiro de 2026
Presidente interina da Venezuela defende agenda de colaboração

O perigoso negócio que mata – por Gustavo Gumiero

8 de janeiro de 2026
Duro golpe na agenda climática – por José Pedro Martins

Duro golpe na agenda climática – por José Pedro Martins

7 de janeiro de 2026
Carregar Mais















  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista

Mais lidas

  • Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    Morte de criança em piscina ocorre dez dias após aprovação da ‘Lei Manuela’

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher é encontrada morta em residência de Campinas e polícia prende companheiro por oferecer drogas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Policial baleado durante folga em Campinas morre após uma semana internado

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Morador de Valinhos morre afogado em praia do Guarujá

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Gustavo Abdel
abdel@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Caio Amaral
caio@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.