Aristóteles ensinou que a virtude não se encontra no impulso cego, mas no gesto consciente. Para ele, ser virtuoso é agir com clareza de propósitos, sabendo por que se age e o que se busca com tal ação. É mover-se não por aplausos, mas pela integridade do ato em si. E, sobretudo, é caminhar com firmeza, sem vacilar diante das incertezas, pois a virtude exige não só escolha, mas também constância.
A ética é uma chave que abre a cabeça para assuntos referentes à moral e ao caráter, enfocando especialmente a questão da felicidade e dos meios para alcançá-la. Ela serve como condução do ser humano rumo à felicidade. E depende da interação, na dinâmica do convívio social, que possibilita transparecer os valores morais humanos mais importantes e nobres.
O pensamento dele ecoa com força nos desafios do século XXI. A ética que ele propõe não é teórica, mas prática: viver bem é agir bem, com equilíbrio, propósito e consciência. Em tempos de redes sociais, em que a aparência muitas vezes supera a essência, a busca por virtudes pode ser um antídoto contra a superficialidade.
A felicidade jamais será alcançada se não for baseada na atividade da alma. É um bem supremo, que tem um fim em si mesmo, sendo almejado por todos.
A prudência é a virtude da excelência, do deliberar como que essas circunstâncias devem ser atendidas, com base na experiência e conhecimento, acerca do que é bom para todos.
Para uma vida plena precisamos da coragem, que nos impulsiona a agir diante do medo; a temperança, que nos ensina a controlar os desejos e excessos; e a justiça, que garante a equidade nas relações humanas. Todas essas virtudes não surgem naturalmente, mas são construídas pela experiência e pelo hábito.
A justiça é uma virtude prática ou moral, da mesma forma que a coragem e a temperança. As virtudes éticas são hábitos que são adquiridos pela experiência.
Se observarmos ao nosso redor vamos perceber que muitos têm valorizado o TER em vez do SER, numa eterna ilusão de buscar a felicidade no poder, no dinheiro, na fama, o que acaba afastando a verdadeira dimensão do ser.
Essa distorção de valores aparece em diferentes áreas: no trabalho, quando o sucesso é medido apenas por status; nas relações, quando se prioriza aparências; e na política, quando o poder é exercido sem ética. A consequência disso é um vazio existencial disfarçado de conquistas.
Refletindo sobre o olhar de mundo de Aristóteles, escrevi algo que tem guiado meu caminho e quero compartilhar com vocês: nunca enganar, mentir, fingir, trair, jogar culpa nos outros e falar sem olhar nos olhos.
Sempre resolver os desafios, ter bom humor, valorizar quem faz, saber agradecer, ter fé no que acredita, respeitar todos que te ajudam, até os inimigos. E, de preferência, não colocar o dinheiro como meta, não se deixar levar por guloseimas, não dar ouvidos a fofoqueiros e não permitir o orgulho dominar e deixar a ganância imperar.
Num tempo em que tantos se afogam em metas vazias e conquistas sem alma, resgatar o valor das virtudes pode ser o primeiro passo para reencontrar o sentido da existência.
Que sejamos capazes de reaprender a SER, com profundidade, com ética, com verdade, e não apenas a TER. Só assim poderemos construir uma sociedade mais justa, mais equilibrada e verdadeiramente feliz.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar











