Às vezes, você procura respostas em livros robustos, treinamentos longos e teorias complexas que prometem transformar a sua comunicação. Mas a vida insiste em mostrar que algumas das maiores lições estão nas mãos pequenas e nas falas simples das crianças. Uma conversa recente com minha filha de cinco anos me lembrou que a liderança começa muito antes das técnicas avançadas. Ela nasce do básico que, com o tempo, muitos adultos acabam esquecendo: a clareza, a empatia e a coragem de agir quando ninguém pediu.
A primeira lição que ela me trouxe é que a comunicação eficiente começa na intenção.
Quando perguntei como ela garantia que as pessoas a entendiam, ela respondeu com a naturalidade de quem ainda não complica o que é simples: falo alto e sorrindo. É isso. Clareza vocal e empatia. Você pode ter domínio de todas as técnicas de oratória, mas se a sua presença não comunica proximidade, o outro não se conecta. Um sorriso abre caminhos que nenhuma estratégia sofisticada abre sozinha. É o gesto que diz estou com você, e, quando essa base está presente, a mensagem flui com mais leveza.
A segunda lição veio quando falamos sobre conflitos.
Como resolver quando um amigo quer brincar de algo diferente? Ela não hesitou: brincamos um pouco do que ele quer e um pouco do que eu quero. O que para nós, adultos, vira horas de discussão e disputa, para uma criança vira divisão justa. Ali está a essência da negociação sustentável: ganhar e permitir que o outro ganhe também. Você não precisa ceder tudo, nem impor tudo. Basta encontrar o meio que respeita as duas partes. Negociar é perceber que convivência não é sobre vencer, mas sobre caber junto.
A terceira lição me tocou profundamente.
Ao relembrar um acidente doméstico, ela contou que, ao ver um machucado inesperado, correu para buscar um calçado para me proteger dos cacos de vidro e depois me ajudou a levantar. Nenhuma instrução, nenhuma ordem. Apenas cuidado espontâneo. Isso é liderança no estado mais puro: perceber a necessidade, agir antes de ser solicitado, proteger o outro e criar segurança emocional e física para quem está ao seu lado. Liderar é exatamente isso: oferecer suporte quando o ambiente se desorganiza.
E, no final de tudo, quando perguntei o que ela desejava para o futuro, a resposta foi tão simples quanto poderosa: que as pessoas fossem carinhosas e ajudassem os amigos. Talvez seja esse o tipo de liderança que você também precisa reencontrar. A liderança que nasce da autenticidade, que não precisa performar, que não depende de frases prontas, mas que se sustenta na presença verdadeira.
Em 2026 e em todos os anos que vierem, que você se permita voltar ao básico. Falar com clareza, negociar com leveza e cuidar das pessoas com a naturalidade de quem entende que liderança é, antes de tudo, humanidade.
Cecília Lima é fonoaudióloga, especialista em Oratória e Comunicação para Líderes. Há 20 anos, dedica-se a guiar líderes a colocarem suas ideias com confiança, clareza e assertividade, conquistando a influência que precisam para crescerem na carreira e na vida. Conheça:@cecilialimaoratoria







