O mês de janeiro ganha tons de verde-piscina para conscientizar a população sobre o câncer de colo do útero, doença amplamente prevenível, mas que ainda figura entre as principais causas de morte por câncer entre mulheres no Brasil, ocupando o 3º lugar. Neste início de ano, a campanha ganha um reforço importante: a ampliação da vacinação contra o HPV, principal forma de prevenção primária da doença, e a consolidação de um novo modelo de rastreamento no país, baseado no teste molecular de DNA-HPV, que deverá substituir gradativamente o exame de Papanicolau no Sistema Único de Saúde (SUS) até o final de 2026.
Responsável por quase todos os casos de câncer de colo do útero, o papilomavírus humano (HPV) é uma infecção extremamente comum ao longo da vida. Embora, na maioria das vezes, o próprio organismo consiga eliminar o vírus, a persistência da infecção por tipos de alto risco, especialmente o HPV 16 e 18, pode levar ao desenvolvimento de lesões pré-cancerosas e, posteriormente, do câncer.
“Quando falamos em câncer de colo do útero, estamos falando de uma doença que pode ser evitada com a vacinação contra o HPV, porque impede a infecção antes mesmo que ela aconteça”, explica a oncologista Giselle Rocha, do Grupo SOnHe, que também reforça a importância do rastreio adequado para o diagnóstico precoce.
Disponível gratuitamente no SUS desde 2014, a vacina contra o HPV é indicada para meninas e meninos de 9 a 14 anos, preferencialmente antes do início da vida sexual. Estudos mostram que a imunização nessa faixa etária reduz de forma expressiva a circulação do vírus e, consequentemente, a incidência futura do câncer de colo do útero.
“No entanto, ainda enfrentamos um desafio importante: a queda da cobertura vacinal nos últimos anos. Precisamos retomar esse compromisso coletivo para alcançar a meta da Organização Mundial da Saúde, que prevê 90% de cobertura vacinal até 2030”, reforça Giselle Rocha.
Novo rastreamento por DNA-HPV: uma mudança histórica no SUS
Além da vacinação, 2026 marca um avanço decisivo na prevenção secundária da doença. O Ministério da Saúde está implementando de forma progressiva o rastreamento primário por teste molecular de DNA-HPV, que deverá substituir gradualmente o Papanicolau no SUS até o final do ano.
Diferente do exame citopatológico tradicional, o teste de DNA-HPV identifica diretamente a presença do vírus e de seus subtipos de alto risco, mesmo antes do surgimento de alterações celulares.
“Esse novo modelo de rastreamento é mais sensível, permite identificar mulheres com maior risco real de desenvolver a doença e possibilita intervalos mais longos entre os exames quando o resultado é negativo, o que torna o sistema mais eficiente e organizado”, explica o oncologista Leonardo Silva, do Grupo SOnHe, especialista em tumores ginecológicos. Segundo ele, o rastreamento por DNA-HPV também amplia o acesso ao cuidado, inclusive com a possibilidade de autocoleta em populações com maior dificuldade de comparecer às unidades de saúde, reduzindo desigualdades regionais.
O câncer de colo do útero costuma evoluir de forma silenciosa em seus estágios iniciais, o que torna a prevenção ainda mais crucial. Quando diagnosticado precocemente, as chances de cura são elevadas e os tratamentos tendem a ser menos agressivos.
“A combinação entre vacinação em larga escala e rastreamento moderno tem potencial real de mudar a história dessa doença no Brasil. O Janeiro Verde-Piscina é um convite para que mulheres, famílias e profissionais de saúde se engajem ativamente nessa prevenção”, conclui Leonardo Silva.







