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Home Colunistas

A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

Carmino de Souza Por Carmino de Souza
12 de janeiro de 2026
em Colunistas
Tempo de leitura: 5 mins
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A ascensão das publicações ‘predatórias’ – por Carmino de Souza

Foto: Freepik

Este é um assunto de extrema importância e altamente incomodativo aos acadêmicos que praticam a ciência com correção e buscam dar publicidade aos seus trabalhos nas melhores e mais éticas revistas científicas nacionais e/ou internacionais. Vou aqui reproduzir, em grande parte, o que foi publicado pela Zeppelini Editorial em 06/10/2025 e que aqui manifesto também minha preocupação neste tema.  Nas últimas duas décadas, a publicação científica passou por uma transformação tecnológica e econômica que abriu espaço para modelos mais heterodoxos — e, infelizmente, para práticas predatórias.

Predatory publishing refere-se a periódicos e editoras que cobram (e muito caro) autores por publicar, afirmam práticas de revisão por pares e indexação que não existem ou são fraudadas, e priorizam receita rápida em detrimento da qualidade científica. O fenômeno não é marginal: estudos e levantamentos indicam um crescimento exponencial do volume de artigos veiculados por veículos questionáveis desde 2010, com estimativas que apontam um salto de dezenas de milhares para centenas de milhares de artigos em um intervalo curto de tempo.

O modus operandi desses periódicos é relativamente padronizado. Eles empregam táticas de aliciamento como spam massivo a pesquisadores (e-mails prometendo revisão rápida), nomes de revistas que imitam títulos estabelecidos, falsificação de informações sobre comitês editoriais e índices, promessa de “fator de impacto” inexistente e portais de submissão improvisados ou até submissão por e-mail. Após a aceitação rápida — muitas vezes em dias — é emitida a fatura do Article Processing Charge (APC), às vezes com valores ocultos ou cláusulas abusivas.

Essas práticas foram bem documentadas por guias e análises que descrevem desde o contato inicial até a publicação sem revisão substantiva. Os impactos éticos e sociais são múltiplos e perturbadores.

Em primeiro lugar, há erosão da confiança pública na ciência: quando resultados frágeis ou fabricados circulam livremente, e sobretudo quando chegam à mídia ou a bases de decisões, o público tende a questionar o valor do conhecimento científico como um todo. A proliferação de trabalhos com revisão inexistente ou inadequada alimenta dúvidas sobre intervenções médicas, políticas públicas e recomendações técnicas — um problema que ganhou atenção à medida que centenas e milhares de artigos suspeitos e retratações passaram a ser documentados por bancos de dados e jornalistas especializados.

Em segundo lugar, pesa sobre pesquisadores jovens e instituições com menos recursos: pós-doutorandos e autores de países em desenvolvimento frequentemente encaram pressões para publicar (avaliações, progressão na carreira, captação de bolsas) e podem ser alvos fáceis das promessas de publicação rápida.

Publicar em periódicos predatórios pode contaminar o currículo acadêmico do pesquisador, desperdiçar recursos (pagamento de APCs, horas de trabalho) e fragilizar avaliações institucionais que dependem de métricas inócuas.

Estudos e levantamentos internacionais indicam que uma fração relevante de autores já publicou, intencionalmente ou não, em veículos questionáveis — um problema que escala quando multiplicado por avaliações científicas que ignoram a qualidade do periódico. Além do cenário “clássico” do predatory publishing, emergem práticas correlatas que agravam a crise de credibilidade: manipulação do peer review (como revisores falsos ou identidades usurpadas), autoria indevida ou “guest authorship”, salami slicing e, mais recentemente, o uso irresponsável de inteligência artificial para gerar textos e dados sem verificação.

O resultado é uma contaminação em cadeias: muitos artigos falsos ou mal validados são citados por revisões sistemáticas, integrados em bases de evidência e, por fim, replicados em políticas ou em produção jornalística, multiplicando danos.

Investigações recentes sobre “paper mills” (fábricas de artigos) expuseram como fraudes bem-organizadas conseguem infiltrar periódicos reputados e aumentar drasticamente o número de retratações. Frente a essa emergência, diversas iniciativas e atores vêm atuando para mitigar o problema.

Organizações de ética editorial como o Committee on Publication Ethics (COPE) produziram orientações para identificar e evitar comportamentos predatórios e para que editores e instituições fortaleçam normas de governança editorial. O Directory of Open Access Journals (DOAJ) revisou e apertou seus critérios de indexação para servir como uma “lista branca” de periódicos open access confiáveis.

Bases e redes regionais, como a SciELO, têm reforçado políticas de curadoria e capacitação editorial em países da América Latina, enquanto serviços comerciais (como a Cabell’s) e iniciativas independentes mantêm listas e relatórios que ajudam bibliotecas e pesquisadores a checar riscos.

Também têm surgido guias institucionais e recomendações para administrações de pesquisa sobre como treinar pesquisadores a identificar riscos e evitar desperdício de recursos.

Apesar desses esforços, há limites e riscos: listas negras podem errar ou estigmatizar periódicos em processo de melhoria; critérios aplicados em contextos do norte global nem sempre se ajustam a realidades editoriais de outras regiões; e a velocidade com que paper mills e técnicas sofisticadas (incluindo ferramentas de IA) evoluem antecipa frequentemente as defesas.

Por isso, especialistas apontam que a resposta deve ser integrada: educação e formação em integridade científica para alunos e corpos docentes; políticas institucionais que valorizem qualidade sobre quantidade nas avaliações; transparência editorial (dados de revisão, políticas de conflito de interesse, identidades de editores); ferramentas automáticas de triagem (detecção de plágio, análise estatística de séries suspeitas); e cooperação entre bibliotecas, agências de fomento e indexadores.

Em suma, o avanço do predatory publishing é um sintoma de uma cadeia de incentivos defectiva: mercado por atenção, métricas simplistas e pressões por produtividade.

Enfrentar o problema exige combinar vigilância (listas e curadorias confiáveis), capacitação (alfabetização científica e editorial) e reforma nas práticas de avaliação acadêmica. Sem isso, o risco é que a ciência, cuja autoridade se baseia em processos rigorosos e verificáveis, perca a confiança que lhe permite orientar decisões públicas e privadas. A resposta é, portanto, técnica e ética — e precisa ser coletiva, transparente e adaptativa, porque os agentes do estelionato editorial também mudam de tática rapidamente.

 

Referência: A ascensão do predatory publishing: quando a publicação científica vira negócio. Et al. | 341 | 06 de outubro de 2025.

 

Carmino Antonio De Souza é professor titular da Unicamp. Foi secretário de saúde do estado de São Paulo na década de 1990 (1993-1994) e da cidade de Campinas entre 2013 e 2020. Secretário-executivo da secretaria extraordinária de ciência, pesquisa e desenvolvimento em saúde do governo do estado de São Paulo em 2022 e atual Presidente do Conselho de Curadores da Fundação Butantan. Diretor científico da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH). Pesquisador responsável pelo CEPID-CancerThera apoiado pela FAPESP.

Tags: ArtigosCarmino de SouzaciênciacolunistasconhecimentodifusãoHora CampinasLetra de Médicomedicinapesquisapublicaçõessaúde
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