Recebi com enorme alegria os dados divulgados pela Unicamp, sobre os aprovados no vestibular de 2026. É profundamente gratificante, ver um avanço tão consistente na democratização do acesso ao ensino superior.
O fato de 49,5% dos aprovados terem vindo do ensino médio público, renova a esperança de que estamos no caminho certo. São 1.781 jovens entre os 3.600 convocados na primeira chamada, representando um Brasil mais plural, mais justo e mais consciente do poder transformador da educação.
Outro dado animador é o aumento no número de estudantes pretos, pardos e indígenas. Já a proporção de candidatos isentos da taxa de inscrição, um indicador relacionado a maior vulnerabilidade socioeconômica, manteve-se estável. Esses dados revelam avanços concretos no caminho da democratização do acesso à universidade pública e não aconteceram por acaso. Eles refletem o esforço institucional da própria Unicamp, com iniciativas como o projeto ‘Cria Unicamp’, desenvolvido pela Comvest em 2023 para aproximar vestibulandos do ambiente universitário.
Temos a alegria de ver, entre os aprovados, jovens que participaram da Academia Educar, nosso programa de protagonismo juvenil, em atividade há 36 anos.
Também acreditamos que a formação de repertório começa na infância, com o incentivo à leitura. O projeto ‘Leia Comigo!’, voltado ao público infantil, é um exemplo desse compromisso. Um jovem que lê desenvolve mais vocabulário, pensamento crítico e sensibilidade, qualidades essenciais, não apenas para o vestibular, mas também para a vida.
É fundamental reconhecer que o acesso à universidade não representa apenas uma conquista individual, mas sinaliza uma transformação estrutural em curso.
Quando a universidade pública amplia seu alcance e reconhece a pluralidade do País, torna-se mais representativa, mais justa e mais potente.
A aprovação, na Unicamp, de quase metade dos estudantes vindos da escola pública, simboliza essa mudança e serve como convite para que mais instituições, projetos e políticas públicas se unam a esse propósito coletivo.
Nesse contexto, vale destacar iniciativas como o ‘Todos Pela Educação’, organização da sociedade civil, sem fins lucrativos e apartidária, que atua desde 2006, com a missão de garantir uma educação básica pública de qualidade, e com equidade para todas as crianças e jovens. Por meio de estudos, pesquisas e do monitoramento de políticas públicas, a entidade contribui para fortalecer uma agenda educacional centrada no estudante e que reconhece o papel do Estado como garantidor de direitos.
A jornada é longa, mas os sinais são claros: a inclusão está funcionando e transformando vidas.
Como nos lembra Paulo Freire, “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo.”
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar











