10 de agosto de 2026
O SEU PORTAL DE NOTÍCIAS, ANÁLISE E SERVIÇOS
ANUNCIE
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME
Sem Resultados
Ver todos os resultados
Informação e análise com credibilidade
Sem Resultados
Ver todos os resultados
PUBLICIDADE
Home Colunistas

Entre o glitter e o inconsciente: o bloquinho passa, já o sintoma fica – por Thiago Pontes

Thiago Pontes Por Thiago Pontes
17 de fevereiro de 2026
em Colunistas
Tempo de leitura: 4 mins
A A
Entre o glitter e o inconsciente: o bloquinho passa, já o sintoma fica – por Thiago Pontes

Foto: Freepik

Quando Sigmund Freud, o pai da psicanálise, escreveu a obra literária “O Mal-Estar na Civilização”, ele nos alertou que viver em sociedade exige renúncias pulsionais. Para existir cultura, é preciso conter desejos. Para existir ordem, é preciso recalcar impulsos. O preço da civilização é o mal-estar. Não há promessa de felicidade plena; há, no máximo, administrações possíveis do sofrimento. A frustração não é um acidente do sistema, é parte estrutural dele que vem desde o Contrato Social na história.

Décadas depois, Zygmunt Bauman descreve a “Modernidade Líquida” como um tempo em que tudo se torna fluido: vínculos, identidades, valores, compromissos. Se antes o sofrimento vinha do excesso de repressão, agora ele brota do excesso de possibilidades. Somos livres para escolher tudo e esmagados pela responsabilidade de sustentar essas escolhas. Nada é feito para durar; tudo é feito para consumir e descartar.

O que acontece quando colocamos Freud e Bauman para conversar em plena terça-feira de Carnaval? Vemos um país inteiro nas ruas, fantasiado, cantando, dançando, gastando, tentando suspender por alguns dias o peso da existência.

O Carnaval é, sem dúvida, uma expressão cultural legítima, uma catarse coletiva, uma celebração estética e histórica, mas também pode funcionar como sintoma social.

Freud diria que a festa é uma válvula de escape das tensões acumuladas pela repressão cotidiana. Bauman acrescentaria que, na modernidade líquida, essa válvula se transforma em produto. A fuga vira mercadoria. O bloco tem abadá. A alegria tem pacote. A experiência tem preço. Compra-se a sensação de pertencimento, a euforia temporária, o esquecimento programado.

E não há nada de ingênuo nisso. A lógica contemporânea promete anestesia rápida. Sofreu? Viaje. Está angustiado? Beba. Sente-se vazio? Poste. Está sobrecarregado? Consuma uma experiência. A palavra-chave é imediatismo. A dor precisa ser silenciada agora. O desconforto não pode esperar elaboração.

Nesse cenário, o investimento em um processo psicanalítico parece caro e demorado demais. Afinal, ele não promete felicidade instantânea. Não oferece três sessões milagrosas. Não vende cura rápida. Pelo contrário: propõe atravessar o desconforto, sustentar a angústia, escutar o sintoma. É um caminho que exige tempo, justamente aquilo que a modernidade líquida não tolera.

É aqui que está a provocação dessa crônica de hoje: quanto custa não se conhecer? Quanto custa repetir padrões por décadas?

Quanto custa manter relações frágeis, decisões impulsivas, escolhas guiadas pela urgência emocional? O que parece caro talvez seja, na verdade, investimento estrutural. O que parece barato pode ser apenas paliativo sofisticado.

Bauman afirma que vivemos em uma sociedade de consumidores, não apenas de bens, mas de experiências e até de identidades. O sujeito torna-se produto. Precisa ser interessante, desejável, atualizado. No Carnaval, essa dinâmica se intensifica: corpos, performance, felicidade. A tristeza é quase uma infração estética. A dor precisa ser escondida sob glitter. Freud lembraria que aquilo que é recalcado retorna. O que não é elaborado reaparece como sintoma.

A ressaca não é apenas física; muitas vezes é existencial. Depois da euforia, volta o silêncio. Depois da multidão, o quarto. Depois do excesso, o vazio.

Não se trata de condenar a festa. A questão não é moral, é estrutural. O problema não é dançar; é acreditar que dançar resolve o que precisa ser simbolizado. O problema não é viajar; é imaginar que mudar de cidade muda conflitos internos. O problema não é gastar; é usar o consumo como substituto de elaboração psíquica. Nossa geração, e as que vêm, estão sendo treinadas para a impaciência. Relações rápidas, respostas instantâneas, recompensas imediatas. O algoritmo nos condiciona. A cultura reforça. A economia lucra. Nesse contexto, qualquer processo profundo parece lento demais.

A psicanálise, porém, é quase um ato de resistência cultural. Ela contraria a lógica da pressa. Afirma que o sujeito não é descartável. Sustenta que o sofrimento tem sentido. Defende que a liberdade não está em fazer tudo, mas em compreender por que fazemos o que fazemos. Se Freud mostrou que o mal-estar é inerente à civilização, Bauman evidencia que a liquidez amplia a sensação de insegurança e fragilidade.

Vivemos menos reprimidos, mas mais ansiosos. Menos contidos, porém mais vazios. Mais conectados, porém mais solitários.

O Carnaval, então, torna-se metáfora perfeita: explosão coletiva em meio a uma estrutura social marcada por instabilidade afetiva e econômica. É o grito que antecede o retorno à rotina. É o brilho que tenta ofuscar a angústia estrutural. A pergunta provocativa é: estamos celebrando ou fugindo? Estamos vivendo ou anestesiando? Estamos investindo em autoconhecimento ou apenas comprando distrações?

Talvez o grande desafio da nossa geração seja reaprender a suportar o tempo. Tempo de análise. Tempo de silêncio. Tempo de construção de vínculos sólidos. Tempo de amadurecimento. Em um mundo líquido, escolher profundidade é quase revolucionário. Porque, no fim, a festa passa. O bloco dispersa. A música silencia. O que permanece é o sujeito consigo mesmo.

 

Thiago Pontes Thiago Pontes é Filósofo, Psicanalista e Neurolinguísta (PNL).  Instagram @dr_thiagopontes_psicanalista – site: www.drthiagopontespsicanalista.com.br

Tags: angústiaansiedadeCarnavalressacaThiago Pontesvazio
CompartilheCompartilheEnviar
Thiago Pontes

Thiago Pontes

Ponto de Vista

Notícias Relacionadas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci
Colunistas

Dia dos Pais: porque, no fim das contas, o que ficam são as histórias – por Daniela Nucci

Por Daniela Nucci
9 de agosto de 2026

...

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal
Colunistas

Sem jornalismo, não há democracia – por Luis Norberto Pascoal

Por Luis Norberto Pascoal
7 de agosto de 2026

...

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

Quando ir às lojas era um passeio – por Alexandre Campanhola

6 de agosto de 2026
Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

Permita-se sentir tédio – por Tábita Luiza de Ávila Dutra

6 de agosto de 2026
Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

Um mês decisivo para a legislação ambiental no Brasil – por José Pedro Martins

5 de agosto de 2026
‘Ficar’ é um campo minado

‘Ficar’ é um campo minado

4 de agosto de 2026
Carregar Mais

Mais lidas

  • Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    Herói até o fim: pedreiro salva colega e morre afogado dentro de caixa d’água

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • ‘Rolimã na Rua’ terá edição especial do Dia dos Pais neste domingo, em Valinhos

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Campinas abre seleção inédita de projetos para a pessoa idosa

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Motorista morre ao colidir Uno na traseira de um caminhão na Anhanguera, em Campinas

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Mulher de 42 anos é morta a facada pelo marido em Valinhos; vítima tinha medida protetiva

    0 Compartilhamentos
    Compartilhe 0 Tweet 0
  • Avatar photo
    Alexandre Campanhola
    Hora da Saudade
  • Avatar photo
    Carmino de Souza
    Letra de Médico
  • Avatar photo
    Cecília Lima
    Comunicar para liderar
  • Avatar photo
    Daniela Nucci
    Moda, Beleza e Bem-Estar
  • Avatar photo
    Gustavo Gumiero
    Ah, sociedade!
  • Avatar photo
    José Pedro Martins
    Hora da Sustentabilidade
  • Avatar photo
    Karine Camuci
    Você Empregado
  • Avatar photo
    Kátia Camargo
    Caçadora de Boas Histórias
  • Avatar photo
    Luis Norberto Pascoal
    Os incomodados que mudem o mundo
  • Avatar photo
    Luis Felipe Valle
    Versões e subversões
  • Avatar photo
    Renato Savy
    Direito Imobiliário e Condominial
  • Avatar photo
    Retrato das Juventudes
    Sonhos e desafios de uma geração
  • Avatar photo
    Thiago Pontes
    Ponto de Vista
Hora Campinas

Somos uma startup de jornalismo digital pautada pela credibilidade e independência. Uma iniciativa inovadora para oferecer conteúdo plural, analítico e de qualidade.

Anuncie e apoie o Hora Campinas

VEJA COMO

Editor-chefe

Marcelo Pereira
marcelo@horacampinas.com.br

Editores de Conteúdo

Laine Turati
laine@horacampinas.com.br

Maria José Basso
jobasso@horacampinas.com.br

Reportagem multimídia

Silvio Marcos Begatti
silvio@horacampinas.com.br

Leandro Ferreira
fotografia@horacampinas.com.br

Marketing

Pedro Basso
atendimento@horacampinas.com.br

Para falar conosco

Canal Direto

atendimento@horacampinas.com.br

Redação

redacao@horacampinas.com.br

Departamento Comercial

atendimento@horacampinas.com.br

Noticiário nacional e internacional fornecido por Agência SP, Agência Brasil, Agência Senado, Agência Câmara, Agência Einstein, Travel for Life BR, Fotos Públicas, Agência Lusa News e Agência ONU News.

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.

Welcome Back!

Login to your account below

Forgotten Password?

Retrieve your password

Please enter your username or email address to reset your password.

Log In

Add New Playlist

Sem Resultados
Ver todos os resultados
  • ÚLTIMAS
  • CIDADE E REGIÃO
  • COLUNISTAS
  • ARTE E LAZER
  • OPINIÃO
  • ESPORTES
  • EDUCAÇÃO E CIDADANIA
  • SAÚDE E BEM-ESTAR
  • BRASIL E MUNDO
  • ECONOMIA E NEGÓCIOS
  • TURISMO
  • VEÍCULOS
  • PET
  • FALECIMENTOS
  • NOSSO TIME

Hora Campinas © 2021 - Todos os Direitos Reservados - Desenvolvido por Farnesi Digital - Marketing Digital Campinas.