Tomara que seja verdade/ Que exista mesmo disco voador / Que seja um povo inteligente / Pra trazer pra gente a paz e o amor / Se for pra o bem da humanidade / Que felicidade esta intervenção / Aqui na terra só se pensa em guerra / Matar o vizinho é nossa intenção
Os versos da antiga canção de Jacó e Jacozinho ecoam uma verdade e atualidade absurdas: em nosso planeta multiplicam-se os conflitos, e o poder de matar está na mão de cada um.
E por algum acaso da vida, eu fui escolhido por um ET para conhecer a sua casa. Ele me mostrou o planeta onde vive, e me fez refletir sobre muitos assuntos cruciais para a humanidade.
Não consigo descrevê-lo fisicamente… Mas logo lhe perguntei: – Mas por que você não tem características humanas?
– Mas vocês, humanos, acham que as vidas em todos os outros planetas iriam se desenvolver e evoluir como aconteceu na Terra? Cada planeta, cada complexo, é um caso específico de evolução. Por isso, não, não somos iguais a vocês, graças ao Universo.
Fiquei sem palavras. Sim, ele estava certo, nosso jeito arrogante e soberbo de humanos pensamos que todas as formas de vida, se existissem fora da Terra, seriam iguais às daqui. Mero mito, mentira.
E continuei a observar. Verifiquei que a única espécie animal que vivia naquele planeta era a própria espécie humana, quer dizer, “eteana”… Não sabia como devia chamá-la. E perguntei se eles não tinham outros animais de companhia e ele prontamente me respondeu:
– Não, só nós que vivemos aqui. Por isso admiramos e amamos a Terra. Tantas espécies de animais que vivem, dos microscópicos aos gigantes, isso é maravilhoso. Mas vocês insistem em matar. Já, já, só vão sobrar vocês.
Fiquei sem palavras novamente. Pura verdade, mais uma vez. Mas continuei:
– E aqui não há países?
– Países? Para que criar divisões, temos que ser todos juntos, unidos, em prol do bem comum. Aqui nada é de ninguém, e tudo é de todos.
– E o trabalho aqui?
– Trabalho é realizado pelas máquinas. A nós cabe viver! Nós vivemos! Dedicamo-nos à nossa família, ao nosso planeta. Vocês, humanos, esquecem que o trabalho tal como vocês conhecem tem só duzentos anos de existência. Vocês acham que sempre foi assim, e aceitam isso! Se contentam com férias e décimo-terceiro. Perdem mais de oito horas do dia fazendo algo sem propósito, se destruindo.
A conversa continuou… quem sabe outro dia eu termine de contar.
Talvez este seja um texto fictício, mas permeado de muitas verdades.
Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero











