A ABAL – ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA CARLOS GOMES DE ARTISTAS LÍRICOS há 46 anos, ininterruptamente, vem oferecendo em Campinas um espaço para que a Música Lírica fustigue nosso espírito levando-nos a um relaxamento, deleite e abstração relativamente aos acontecimentos do cotidiano.
Projetando a beleza da composição musical dos grandes mestres da música universal, entre eles o incomparável Carlos Gomes, com um desempenho vocal impecável associado à poética dos textos, os muitos intérpretes que nela se apresentam vem proporcionando momentos de prazer a uma plateia fiel que, não obstante a concorrência da indústria fonográfica, aos poucos se avoluma, inclusive com a presença dos mais jovens.
É conhecimento corrente que, entre todas as artes, a Música é a mais universal, embora com gêneros diferentes manifesta-se de formas variadas, em tempos e lugares diversos. Não há povo na face do planeta que não a cultive e pode-se dizer que somos seres musicais, pois quando ainda no ventre materno reagimos aos sons, e púberes somos profundamente atraídos por eles, gostando de desenvolvê-los. Inúmeras pesquisas revelam o impacto que a Música exerce no sistema nervoso, afetando processos como frequência cardíaca, respiração, pressão sanguínea, digestão, equilíbrio hormonal, humor e atitudes.
Tendo-se que a produção da Música acompanha o ritmo de cada momento da vida das sociedades humanas, sejam ágrafas ou históricas, bem como se apropria da tecnologia vigente em cada momento para sua expressão, ela não pode prescindir, no entanto, do Gênio Criador, o qual a faz acontecer com qualidade para a humanidade, pois sempre ela será capaz de estabelecer comunicação com quem a aprecia. Sem a contribuição deste personagem ela não é Arte, mas um simples divertimento sonoro.
Todos nós, representantes da espécie humana, podemos conhecer a realidade que nos cerca e expressa-la através da língua pátria. Mas, somente os Artistas o fazem através de uma forma verbal e não verbal, como se percebessem o entorno de si mesmos com um terceiro olho: veem aquém, além, algures e, como mágicos, transformam as visões em sons, linhas, formas, palavras, cores… Não só reproduzem a realidade que contemplam, mas a recriam dentro de si com sensibilidade borbulhante, percorrendo o mundo maravilhoso que existe na esteira do Universo, engajados em propostas de conquista que eternizam.
Neste 2026, em 24 p.p., tivemos a abertura da temporada com as falas do atual presidente da entidade, João Gabriel Bertolini, da Secretária da Cultura e demais autoridades presentes ligadas às Artes. O público presente, bastante significativo, pode apreciar árias das óperas de Giuseppe Verdi e de Wolfgang Amadeus Mozart na voz dos artistas convidados, embora a acústica ruim do teatro não os favorecesse. José Francisco Costa – o Chiquinho, os acompanhou brilhantemente, fazendo jus ao seu doutorado em Música.
No saguão de entrada do complexo uma exposição de artistas plásticos da Sociedade Hípica de Campinas e do Ateliê Lisa França recepcionaram os presentes com obras pictóricas de qualidade, promovendo assim um diálogo entre as artes.
A propósito, será sempre importante lembrar que nossas sociedades dependem da Arte para se humanizarem! Que opções para futuros teríamos, não fossem as multicoloridas antevisões e multifacetadas sonoridades dos que a cultivam? É na Arte, com todas suas nuances, transformada em peça arco íris, que se estendem nossos extenuados corpos, limitados intelectos e pequenos sentimentos, na busca de auroras diferentes e distantes.
Dostoiéwski já disse: “A Beleza salvará o mundo!” Acrescento que não é por acaso que todas as religiões incluíram sempre a Música e o Canto em momentos de louvor aos seus deuses, pois com toda a certeza, cultivando estas Artes ficamos melhores e, quem sabe, chegaremos a mudar nossa própria essência!
Regina Márcia é antropóloga, docente universitária aposentada, escritora, palestrante, ex-conselheira do CONDEPHAAT, do CONDEPACC, membro da ACL e de várias entidades culturais nacionais e internacionais.






