Estamos de luto pela perda desse patrimônio cultural e ambiental na região central do distrito de Barão Geraldo.
Um laudo pode atestar a saúde debilitada do espécime vegetal, mas não o condena à morte. Sendo de importância a manutenção daquela árvore, quer seja por motivos históricos, quer seja pela dificuldade de substituição no curto prazo, há procedimentos que podem ser feitos para mantê-la viva. Sustentação por escoras, recuperação de partes danificadas por enxerto vegetal ou mineral, tratamento com remédios e outros produtos, e por aí vai. O conhecimento agronômico não é apenas dicotômico entre manter ou cortar. Isso sequer foi cogitado pela prefeitura.
Ao que foi relatado, na Praça do Coco, em Barão Geraldo, uma árvore com mais de 50 anos foi cortada para dar espaço para que as máquinas atuassem nas duas que deveriam ser removidas. Qual o sentido disso?
Abraçamos o que restou da árvore com tristeza, com sentimento de que menos verde e mais cinza estão acontecendo. Isso sem contar o simbolismo envolvido.
Barão Geraldo é sabidamente uma região com eleitores mais progressistas e à esquerda do espectro político, ou seja, em oposição à atual administração. Retirar um dos símbolos mais fortes do distrito é fustigar, mexer com o âmago dos moradores, já que não será nas ações benéficas que votos serão conquistados.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.






