Monteiro Lobato, icônico escritor brasileiro, cunhou a frase de que uma nação se constrói com “homens e livros”. Adaptada aos novos tempos, essa máxima segue sinalizando a importância da leitura e da cultura para o desenvolvimento e o progresso de um povo, mas faltaria o gênero feminino, a força da mulher para ancorar esse movimento de construção.
Na Academia Campinense de Letras (ACL), que completa 70 anos neste domingo, 17 de maio, essa força é polivalente e diversa, uma sinergia colaborativa que une confrades e confreiras em torno de um grande objetivo: valorizar as letras e a arte, exaltando esses pilares do conhecimento.
Três acadêmicos estão e estiveram na linha de frente da ACL, nos anos mais produtivos e efervescentes da entidade neste século. São eles: o advogado e escritor Agostinho Toffoli Tavolaro (cadeira 40), o advogado, escritor e jornalista Jorge Alves de Lima (cadeira 2) e a escritora, professora e advogada Ana Maria Melo Negrão (cadeira 8).
Os dois primeiros são ex-presidentes e Ana Maria assumiu o comando do órgão linguístico e literário em fevereiro do ano passado. O trio se apoia e se fortalece para buscar visibilidade e viabilidade à ACL, o que inclui eventos solenes, palestras, lançamentos de obras, parcerias, divulgação e melhorias na infraestrutura da academia.
No próximo dia 23 de maio, sábado, haverá um momento apoteótico: a ACL será homenageada, às 20h, pela Orquestra Sinfônica de Campinas, com o concerto “70 Anos da Academia Campinense de Letras”.
A apresentação terá a regência do maestro Júlio Medaglia, tendo a soprano Marília Carvalho como solista. O evento gratuito será realizado na Sala de Espetáculos Luís Otávio Burnier no Centro de Convivência Cultural de Campinas.
“A Academia Campinense de Letras reuniu em todos esses anos, felizmente, a elite dos escritores, reforçando com isso a posição de Campinas que hoje é a capital intelectual do Interior de São Paulo. Temos tido muito sucesso na renovação dos acadêmicos”, Agostinho Toffoli Tavolaro.

Comandos de excelência
A Academia Campinense de Letras (ACL) teve diversos presidentes notáveis ao longo de sua história. São expoentes de vários segmentos da sociedade, que emprestaram seu tempo, seu talento e sua rede de contatos para manter e alavancar a entidade.
Agostinho Toffoli Tavolaro, por exemplo, presidiu a ACL por cinco biênios (2007-2016). Jorge Alves de Lima ocupou a presidência por três biênios (2019-2024). A atual presidente para o biênio 2025-2026 é Ana Maria Melo Negrão, tendo como vice Flávio Antônio Quilici (cadeira 5).
Um dos nomes mais notáveis e que selou a sua marca e simpatia na história da Academia é Rubem Costa, que presidiu o órgão por vários anos e que foi alçado ao cargo de presidente emérito.
Rubem Costa, nascido em 22 de abril de 1919, foi educador, escritor e um dos jornalistas mais longevos do Brasil. Produziu crônicas e manteve-se ativo intelectualmente até meses antes de sua morte, em 2 de fevereiro de 2022.
Hoje, Rubem Costa é guardado com muito carinho e gratidão na memória de seus amigos. A biblioteca da ACL, inclusive, leva o seu nome.
“É muito mais do que uma celebração. É um reconhecimento de sua trajetória, em que tantos poetas, escritores, historiadores passaram por aqui. O importante é ser um amante da literatura e das letras. Nossos acadêmicos vêm de vários ramos do saber. A ACL é um farol”, Ana Maria Melo Negrão.

Referência em produção cultural, a Academia Campinense de Letras chega aos 70 anos como espaço vivo e efervescente das letras, como difusora do saber literário, como guardiã da memória, como defensora do patrimônio cultural e como incentivadora da escrita e da leitura.
“A partir de 2019, a Academia Campinense de Letras, na nossa administração, procurei elevá-la a níveis nacional e internacional. Conseguimos que a nossa academia, na minha pessoa, tivessesse sido representada no maior prêmio literário da Língua Portuguesa. É o Prêmio Luís de Camões”, Jorge Alves de Lima.

Histórico
A instituição foi fundada em 1956 pelo linguista Francisco Ribeiro Sampaio, então secretário de Educação e Cultura. Nos moldes da Academia Brasileira de Letras (ABL), a instituição campineira é composta de 40 cadeiras de provimento vitalício.
No começo, as reuniões aconteciam nas dependências do Teatro Municipal, que foi demolido em 1965. Após isso, durante décadas, as sessões aconteceram em locais improvisados.
Em 1974, o ex-prefeito Lauro Péricles cedeu o terreno e o material de construção.
O engenheiro Lix da Cunha, dono de uma empreiteira, realizou a obra de graça. A sede própria foi inaugurada em 16 de maio de 1976, na Rua Marechal Deodoro, 525, no Centro. Em 1995 foi criada a Galeria de Artes Lélio Coluccini, na entrada do prédio.
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