No dia em que completaria 107 anos, o saudoso escritor, jornalista e educador Rubem Costa recebe uma homenagem do Hora Campinas. Sua obra “Minha jangada de velas”, com enredo autobiográfico, foi reorganizada pelos editores do portal numa trilogia na editoria de Opinião. O texto será publicado em 22, 23 e 24 de abril de 2026 como um tributo a sua grande contribuição às letras, ao jornalismo e à educação. O artigo foi revisado pela filha Maria Elisabete Costa Grinaboldi.
Rubem Costa, campineiro nascido em 22 de abril de 1919, foi presidente emérito da Academia Campinense de Letras (ACL), educador, escritor e um dos jornalistas mais longevos do Brasil. Produziu crônicas e manteve-se ativo intelectualmente até meses antes de sua morte, em 2 de fevereiro de 2022.
Nascido em Campinas no início do século passado, um ano depois do fim da Primeira Guerra Mundial, mudou-se para Amparo quando tinha 5 anos de idade. Filho de Rubem e Olívia, menino pobre, contraiu tuberculose na adolescência. Superou.
Jovem, mirou o jornalismo e as letras. Começou seu ofício de jornalista bem cedo, fundando e dirigindo o jornal O Estudante, quando estava na Escola Normal, hoje Carlos Gomes, Centro de Campinas. Fundou também a Revista Palmeiras, da qual foi redator. Tudo isso nos anos 30.
Devido à precocidade de suas iniciativas jornalísticas, e seu notório talento para as letras, foi eleito, aos 18 anos, presidente da Rede Jornalística Estudantina de Campinas.
Naquela época, já integrava o corpo de redatores do jornal Diário do Povo, fundado em 1912. O jornalista teve, portanto, mais de 80 anos de profissão, algo inimaginável nos tempos contemporâneos.
Caminho para a Educação
O ingresso no Magistério acontece em 1943, em Amparo, como professor de Língua Portuguesa. Foi diretor de escolas oficiais de grau médio no estado de São Paulo. Nos anos 60, começa uma trajetória como dirigente de ensino. Primeiro, como inspetor do Ensino Secundário e, depois, em 1969, como diretor da V Divisão Regional de Educação, com sede em Campinas.
Nos anos 70, também formado em Direito, abriu seu escritório e atuou na defesa do funcionalismo público.
Letras, crônicas, livros
O acadêmico Rubem Costa passa a ocupar assento efetivo nas agremiações literárias a partir da década de 70. Em 1971, é um dos fundadores da Academia Campineira de Letras e Artes (CCLA). Dois anos depois, é eleito membro titular da Academia Piracicabana de Letras.
Desde então, trilha um caminho de muita produção intelectual, com crônicas regulares em jornais de Campinas, entre eles o Correio Popular, e publicação de livros. A lista é vasta. Sua última obra publicada, em 2019, é O Velho de Longas Barbas Brancas, da Pontes Editores, um livro de contos.
Com a pandemia da Covid-19, passa a viver recluso com a filha Beth, num apartamento em Campinas. Mas segue sua inquietude intelectual, pensando, elaborando ideias e produzindo crônicas. O Hora Campinas publicou duas delas, A Jangada e o Vento e A Ira Enjaulada, ambas em 2021.
Sua última entrevista foi concedida, de forma on-line, ao Hora Campinas em 2022, no auge da pandemia da Covid-19 e dias antes de sua morte. Trata-se do último documento multimídia da vida do intelectual, que cativou amigos, alunos, autoridades, confrades e confreiras ao longo de sua trajetória.











