Domingo de manhã com MPB soando pela casa, aquela comida típica feita com carinho e amor, escutar a piada do pavê no Natal, remendar o chinelo estourado com um prego e os vendedores ambulantes nas grandes praias dizendo: “Olha o picolé…”. Esse é o jeitinho brasileiro de viver.
Nas aulas de História, aprendemos que nosso país foi “descoberto” em 1500, mas esse ano apenas marca a invasão dos portugueses em terras onde povos originários já habitavam. Roubaram, torturaram, abusaram e apagaram grande parte da nossa história.
Diariamente, vemos pessoas depreciando o próprio país, favorecendo outras nações, além de consumirem excessivamente produtos importados. Sempre valorizando culturas estrangeiras, mas diminuindo a própria nacionalidade.
Algo que reflete isso é o famoso termo “American Way of Life”, adotado nos anos 20, que mostrava o quão a família americana era perfeita e o sonho de consumo de todos os outros países. E isso continua até hoje, pois, ao assistir filmes da Disney, meu sonho era viver naquele lugar que parecia tão encantado e muito mais atraente que o meu país.
Atualmente, as coisas vêm mudando. Países de fora começaram a admirar nosso jeito de viver, a ponto de europeus e norte-americanos quererem ser latinos. Mas Bad Bunny já havia dado um recado lá em 2022, com a música El Apagón: “Agora todos querem ser latinos, mas lhes falta o sazón”.
Um exemplo de que nossa cultura está sendo cada vez mais apreciada é a música e a dança. Muitos artistas internacionais usam samples brasileiros em produções artísticas e usufruem de passos de coreografias brasileiras.
A cultura brasileira é rica em diversidade e história. É lamentável ver que nem todos a apreciam da mesma forma ou que a resumem a apenas um aspecto. Por exemplo, éramos conhecidos apenas como o país do futebol, mas Ayrton Senna deixou um legado histórico em sua trajetória na Fórmula 1 e é lembrado até os dias atuais como uma lenda. Então, por que não podemos ser o país do automobilismo também?
A verdade é que o Brasil é tudo. Não se resume a um esporte, a uma religião, a um político ou a qualquer outra coisa. O Brasil é o conjunto de todos que nascem e vivem nele. É necessário valorizar as riquezas históricas do seu país antes de desprezá-lo.

Maria Eduarda da Silva Lima, 16 anos, mora em Campinas e pelo segundo ano consecutivo é colunista do Retrato das Juventudes. A jovem sonha em cursar jornalismo, embora também tenha interesse em explorar áreas como pedagogia e biologia, mantendo aberto o caminho para diferentes possibilidades de atuação no futuro.












