Teve uma época em que a cidade ganhou um ar afrancesado, era ‘oui’ para todo lado. Em 1880, por exemplo, era inaugurado o restaurante Des Pirinés, conceituadíssimo por sua cozinha à la carte. Outra casa do mesmo gênero, o Restaurante de France, fazia anúncios em francês nos jornais sobre as suas especialidades. Um terceiro endereço gastronômico bastante apreciado era o La Renaiscense, localizado na Rua Regente Feijó.
Durante muitos anos, funcionou em Campinas o Hotel de França, de Ferdinand Domingos, que mantinha restaurante, bar, sorveteria, confeitaria, salão de chá e fábricas de doces finos, encarregando-se também de entregas em domicílio e serviços completos para casamentos e batizados.
Tornou-se famosa por suas múltiplas atividades a casa Au Monde Elegant, de Alfred Genoud, mais tarde denominada Casa Genoud, com livraria, papelaria, armarinhos, brinquedos, instrumentos musicais, fábrica de caixa de papelão, tipografia e perfumaria.
Um dos mais conhecidos estabelecimentos de moda que a cidade contava no seu requintado comércio era a Notre Dame de Paris, de proprietários portugueses, na Rua Dr. Quirino. Dali saiam finíssimos enxovais para noivas endinheiradas que exigiam o que havia de melhor no ramo.
Relógios e joias finas eram vendidos na casa Ao Perret. Instalada na Rua do Comércio (Dr. Quirino), a La Mode Parisiense era muito procurada pelas senhoras elegantes, que lá encontravam variado sortimento de fazendas (tecidos) e adornos. Uma oficina de costura bastante conhecida era a Au Printemps, especializada em roupas para crianças.

Chapéus, fitas e enfeites variados eram os acessórios mais procurados na casas La Marguerite, Mme. Rose e Vile de Paris, no Largo da Matriz Nova. Para os cavalheiros que desejavam um aprimorado corte de cabelo e barba e bigodes tratados, com fricções de perfumaria estrangeira, não havia nada melhor do que o Salão de Paris, situado à Rua Direita (Barão de Jaguara).
Também tinha boa clientela a Chapelaria Francesa, de madame Henriette Behrmann, na Praça da Matriz Velha. Escovas, pentes, leques e tranças eram vendidos no Ao Chic Parisien, sempre em dias com as tendências. E assim, por muito tempo, Campinas foi quase uma réplica de Paris.
Em 30 de junho de 1889, quando a cidade acabara de enfrentar a primeira epidemia de febre amarela, foi servido aos membros das comissões de socorro que ainda se encontravam na cidade um banquete com 70 talheres, no Hotel Europa. O menu, em francês, incluía nougat, doce feito de amêndoas , caramelo ou mel, que tinha o formato da Torre Eiffel.
Recém-inaugurada em Paris, a torre estava na moda. Uma miniatura de material durável fora rifada no Rio de Janeiro em benefício de Campinas. Também os termômetros vendidos na joalheria Casa das Joias, na Francisco Glicério, eram colocados em estojos feitos no formato da Eiffel.












