A Prefeitura de Campinas divulgou nota na manhã desta terça-feira (21) repudiando os crimes de racismo e homofobia praticados contra dois integrantes da delegação do futebol sub-20 de Campinas durante a partida contra a equipe de Itatiba, no 68º Jogos Regionais, na noite de segunda-feira, 20 de julho.
As ofensas partiram de torcedores de Itatiba, cidade sede da competição, durante o jogo no Clube São João.
As vítimas foram o preparador físico e o treinador de goleiros de Campinas. Ambos integram o Guarani Futebol Clube, que representa a cidade nesta modalidade dos Jogos Regionais.
Uma das vítimas denunciou os fatos ao árbitro e a partida foi paralisada no primeiro tempo. Os suspeitos não foram identificados e, diante da situação, a equipe de Campinas decidiu não retornar ao jogo.
A partida foi encerrada pela arbitragem por WO, com placar de 1 a 0 a favor de Itatiba. Campinas aceitou a decisão baseada no regulamento e não irá recorrer.
A equipe de Campinas fará uma notificação oficial sobre o caso ao governo do Estado, responsável pela organização da competição que reúne 89 municípios em 20 modalidades.
Um boletim de ocorrência foi registrado pela Polícia Civil em Itatiba e as duas vítimas foram ouvidas na delegacia da cidade. A Prefeitura seguirá acompanhando as investigações sobre o caso.
Nota da Secretaria Estadual de Esportes
A Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo, organizadora dos Jogos Regionais, divulgou a seguinte nota:
A Secretaria de Esportes do Estado de São Paulo repudia toda e qualquer manifestação de racismo, homofobia ou discriminação. Após tomar conhecimento do episódio ocorrido nos Jogos Regionais, em Itatiba, a Pasta adotou as medidas cabíveis e permanece à disposição das autoridades para colaborar com a apuração e a identificação dos responsáveis. A Secretaria também reforçou, junto aos organizadores, os protocolos de segurança e prevenção para garantir um ambiente esportivo respeitoso, inclusivo e seguro. Paralelamente, a Pasta está em contato com a Secretaria da Justiça e Cidadania para alinhar novas ações de prevenção e enfrentamento às violências e a todas as formas de discriminação no ambiente esportivo.

Não ao racismo
No ano passado, Campinas lançou uma iniciativa de combate ao racismo no esporte. A campanha “Abrace essa causa” faz parte do “Programa Antirracista pela Cor do Esporte”. A Prefeitura de Campinas e a PUC-Campinas são as coordenadoras do movimento, com a participação de importantes parceiros, como Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Guarani e Ponte Preta.
“Essa campanha não é da Prefeitura, mas de toda a sociedade. Ela é fundamental para combater esse mal que é o racismo”, disse o prefeito Dário Saadi na ocasião do lançamento. “Combater o racismo é obrigação e dever de todos”, completou.
Nota do Guarani
Confira na íntegra a nota emitida pelo Guarani sobre o ocorrido
O Guarani Futebol Clube vem a público manifestar seu mais veemente repúdio aos episódios de racismo e homofobia sofridos por integrantes da comissão técnica durante a disputa do 68º Jogos Regionais, competição Sub-20 realizada em Itatiba, na qual a equipe bugrina representava o município de Campinas.
Após uma falta violenta sofrida por um atleta do Guarani, membros da comissão técnica dirigiram-se à arbitragem para reclamar do lance. Na sequência, passaram a ser alvo de graves ofensas de cunho racista e homofóbico, proferidas por pessoas que se encontravam nas cabines de transmissão do estádio.
Diante da gravidade da situação, a comissão técnica solicitou ao árbitro a presença da Polícia Militar, já que não havia policiamento no estádio. O clima hostil no local, com objetos sendo arremessados, fez com que a equipe bugrina ficasse cerca de duas horas no centro do gramado.
Ainda em campo, a arbitragem informou que a partida permanecia paralisada para que os representantes do Guarani pudessem registrar o Boletim de Ocorrência.
Entretanto, de forma surpreendente, o Guarani Futebol Clube foi posteriormente informado de que sofreu W.O. na partida, decisão que resultou na eliminação da equipe da competição.
O Guarani considera inadmissível que profissionais que buscaram exercer seus direitos diante de possíveis crimes de racismo e homofobia sejam penalizados.
Assim que soube do ocorrido, o presidente Rômulo Amaro acionou o Programa Antirracista Pela Cor do Esporte e o Ministério Público, através da Comendadora Edna Lourenço, Coordenadora do Centro de Estudos Africanos e Afro-Brasileiros. O Guarani também adotará todas as medidas cabíveis para a devida apuração dos fatos, confiando que os responsáveis pelas ofensas sejam identificados e responsabilizados na forma da lei.
O Guarani Futebol Clube reafirma seu compromisso com o respeito, a inclusão, a igualdade e a dignidade de todas as pessoas, reiterando que não tolerará qualquer manifestação de preconceito dentro ou fora dos ambientes esportivos.












