O sociólogo, professor universitário, escritor e analista internacional Lejeune Mirhan morreu nesta semana em Campinas aos 69 anos. Internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Madre Teodora em Campinas, ele sofreu uma parada cardíaca na quinta-feira (6), após longa batalha contra problemas de saúde. O intelectual deixa esposa, filha e netos.
Natural de Corumbá (MS), Lejeune Mirhan construiu uma trajetória marcada pela produção intelectual, militância política e ativismo internacional. Filho de Georgeta Mirhan e sobrinho do promotor de Justiça José Mirrha — um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores (PT) em Mato Grosso do Sul e candidato ao Senado em 1982 —, era filiado ao Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
Formado em Ciências Sociais, foi duas vezes presidente do Sindicato dos Sociólogos do Estado de São Paulo, entidade que ajudou a fundar ao lado de nomes importantes da sociologia brasileira, entre eles Florestan Fernandes, que orientou sua pesquisa de mestrado sobre o movimento estudantil após 1968. Naquele período, quando atuava como dirigente estudantil na região de Campinas, era conhecido como “Lejeune Mato Grosso”.
Professor aposentado da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), Lejeune concentrou sua atuação nos últimos anos a análise da política brasileira e internacional. Tornou-se presença frequente em debates, palestras e veículos de comunicação, especialmente em temas relacionados ao Oriente Médio, geopolítica, relações internacionais e imperialismo.
Durante décadas integrou delegações humanitárias à Palestina e à Síria e participou de iniciativas de solidariedade internacional voltadas às causas dos povos do Oriente Médio. Defensor do internacionalismo, produziu análises sobre os conflitos na região, as guerras no Iraque e na Síria, as sanções ao Irã e as transformações da ordem mundial.
Leitor incansável e escritor prolífico, publicou mais de uma dezena de livros sobre geopolítica, marxismo, relações internacionais, história árabe e imperialismo.
“Lejeune Mirhan foi amigo, irmão, companheiro e camarada de muitas lutas e grandes conquistas”, diz Ali El-Khatib, educador e importante liderança da comunidade árabe em Campinas. “Sua trajetória em busca da compreensão e luta do povo palestino é muito grande”, destaca. “Meu respeito, solidariedade e desejo de conforto aos familiares, companheiros do PCdoB e inúmeros amigos.”












