Preservar a infância é um imperativo para nós que temos uma caminhada de vida de tantas décadas.
Hoje, as preocupações e compromissos nos invadem e às vezes nos consomem, mas há uma criança adormecida em nosso íntimo que precisa ser despertada para falar sem condicionamentos sociais com a espontaneidade dos tenros anos e com a autenticidade, sem medos de estar magoando alguém.
Essa criança que habita em nós quer fazer traquinagens, correr solta, gritar, cantar, sorrir e chorar… andar na chuva com os pés na enxurrada que desliza rente à calçada, subir sorrateiramente na mangueira do vizinho para saborear a fruta amarelinha ou mesmo verde. “Beber leite e chupar manga verde faz mal e dá dor na barriga”, ensina a mãe.
Na magia da travessura, não importam as palavras de mãe… que dor de barriga nada! Tudo o que era proibido tinha mais sabor.
E chovem, em nossa mente e coração, as delícias da infância… roubar um pedaço de pudim da geladeira e culpar o irmão… tocar a campainha nas casas da rua e sair correndo… enganar a mãe que não havia lição de casa… fingir que tomou banho… reparar nas pernas da professora… jogar bola no campinho… E as brigas? Com os irmãos… com os colegas de escola… O medo das broncas… dos castigos… das palmadas onde não batia o sol…
Não se pode esquecer a liberdade da rua… os ninhos de passarinhos… os pés descalços… o tempo que não passava tão rápido… a curiosidade de saber o que os adultos conversavam… os porquês da transformação do corpo a entrar na puberdade… o primeiro namoro escondido… os beijos roubados… a matinê aos domingos…
A infância ficou para trás? Cronologicamente, sim… mas há uma criança dentro de cada um de nós que anseia a mesma sinceridade doçura, prazer e magia da meninice…
Vamos desatar os nós que amarram essa criança que ainda vive em nosso âmago e soltá-la para que possa rir livremente, correr, aprontar e brincar com a mesma alegria e simplicidade de outrora, sem nada que a perturbe, e poderemos, assim, comemorar o nosso Dia das Crianças.

Ana Maria Melo Negrão é acadêmica. Ocupa a cadeira 8 da ACL









