Às vésperas de mais um duelo decisivo na dramática e incessante luta contra o rebaixamento à Série C, em plena reta final de uma das temporadas mais melancólicas da história do clube, a Ponte Preta pelo menos tem um motivo para celebrar nesta sexta-feira (19): o aniversário de 10 anos da conquista do acesso à Série A, em 2011.
Há exatamente uma década, numa tarde de sábado, dia 19 de novembro de 2011, a Ponte Preta entrou em campo diante de pouco mais de 11 mil torcedores empolgados que marcaram presença maciça no estádio Moisés Lucarelli.
Comandada pelo técnico Gilson Kleina, que vivia o seu primeiro ano à frente da equipe, a Macaca vinha de quatro partidas sem vitória, a última delas uma derrota em casa por 2 a 1 para o Boa Esporte, que havia frustrado a festa do acesso, mas continuava dependendo só de si e precisava apenas de um simples triunfo contra o ABC para carimbar a vaga na Série A com uma rodada de antecedência.

Apesar de sair atrás do placar antes do relógio marcar 30 minutos, com um gol de pênalti de Cascata, a Ponte Preta não se abalou e deixou tudo igual pouco antes do intervalo, também a partir da marca da cal, em cobrança convertida pelo atacante Ricardo Jesus.
No início da etapa final, o meia Caio marcou o gol da virada e do alívio, aproveitando sobra da defesa e finalizando no contrapé do goleiro. Por volta da metade do segundo tempo, Ricardo Jesus anotou o terceiro, novamente de pênalti.
Artilheiro da Ponte Preta na Série B de 2011, com 19 gols, Ricardo Jesus só não foi o maior goleador da competição porque Kieza, do Náutico, marcou 21, e Lincom, do Bragantino, anotou 20
Com a porteira aberta e um homem a mais, o meia Renatinho transformou a vitória em goleada com um golpe de cabeça nos acréscimos. Após o apito final, os torcedores não se seguraram e invadiram o campo em grande número. A Ponte Preta estava de volta à Série A após cinco anos longe da elite.

Um dos principais destaques da equipe na campanha do acesso em 2011, com quatro gols, Renatinho retornou à Ponte Preta nesta temporada, mas não apresentou o mesmo futebol de uma década atrás e se despediu do clube após três meses, com apenas um gol marcado, entre abril e julho.
Na última rodada, com o acesso garantido, a Ponte Preta viajou até Recife e empatou em 2 a 2 com o Náutico, nos Aflitos. Com isso, a Macaca terminou na terceira colocação do campeonato, com 63 pontos, atrás somente da campeã Portuguesa, que fez 81, e do próprio Timbu, vice-campeão, que somou 64. O Sport completou o grupo dos quatro times que ascenderam à Série A em 2011.
O acesso de 2011 é um dos momentos que o torcedor pontepretano guarda com mais carinho na memória, além de despertar bastante nostalgia, ainda mais nestes tempos pandêmicos de vacas magras, com dificuldades financeiras e resultados adversos.
Decorridos exatos 10 anos daquele memorável jogo contra o ABC, com direito a outro acesso conquistado durante esse período, em 2014, a Ponte Preta vive uma situação completamente oposta dentro e fora das quatro linhas. Com pendências financeiras relativas a direitos de imagem atrasados com alguns atletas do elenco, a Macaca enfrenta o desesperado Confiança neste próximo sábado (20), às 16h30, em Aracaju, pela 37ª e penúltima rodada da Série B.
Em caso de vitória no Sergipe, a equipe do técnico Gilson Kleina chegará aos 46 pontos e garantirá matematicamente a permanência com uma rodada de antecipação. No entanto, se sair de campo derrotada, pode até chegar à última rodada dentro da zona de rebaixamento. Para não correr o risco de que isso aconteça, os pontepretanos precisarão torcer por um tropeço do Remo, que visita o Vasco na noite desta sexta-feira (19), às 19h, em São Januário. Ou então secar o Londrina, que joga fora de casa contra o Vila Nova, às 21h30, em Goiânia.
Relembre abaixo como foi a goleada por 4 a 1 aplicada pela Ponte Preta sobre o ABC, que garantiu o acesso à elite em 2011:
FICHA TÉCNICA:
Ponte Preta (4): Júlio César; Guilherme, Leandro Silva, Ferron e Uendel; Josimar, João Paulo Silva, Caio (Tiago Luís) e Renato Cajá (Gerson); Ricardinho (Renatinho) e Ricardo Jesus. Técnico: Gilson Kleina.
ABC (1): Welligton; Samuel (Nêgo), Tiago Garça, Irineu e Renatinho Carioca; Bileu, Ricardo Oliveira, Jerson (Makelele) e Cascata; Lins e Leandrão. Técnico: Leandro Campos.
Gols: Cascata (pênalti), aos 28′, e Ricardo Jesus (pênalti), aos 44′ do 1º tempo; Caio, aos 9′, Ricardo Jesus (pênalti), aos 24′, e Renatinho, aos 46′ do 2º tempo.
Data: 19 de novembro de 2011 (sábado).
Local: Moisés Lucarelli, Campinas (SP).
Público: 11.164 pagantes.
Renda: R$ 83.549,00.
Juiz: Antônio Frederico de Carvalho Schneider (RJ).
Cartões amarelos: Guilherme Andrade, Leandro Silva e Renatinho(PON); Irineu, Nêgo, Renatinho Carioca, Tiago Garça, Cascata e Ricardo Oliveira (ABC).
Cartão vermelho: Renatinho Carioca, aos 17′ do 2º tempo.











