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Home Cidade e Região

Nova Odessa guarda elo distante com Rússia e Ucrânia

Cidade da Região Metropolitana de Campinas recebeu imigrantes europeus no século passado

Marcelo Pereira Por Marcelo Pereira
25 de fevereiro de 2022
em Cidade e Região
Tempo de leitura: 4 mins
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Nova Odessa guarda elo distante com Rússia e Ucrânia

Imagem aérea de Nova Odessa: Prefeitura deverá informar forma de pagamento até o próximo dia 10. Foto: Divulgação

O mundo acompanha com atenção e preocupação a investida militar da Rússia contra a Ucrânia. Descendentes dos dois países que moram na Região Metropolitana de Campinas (RMC) vivem dias de aflição sobre o destino de suas nações e de parentes e amigos que lá estão. Mas o que nem todo sabe é que na RMC há uma cidade que guarda um elo, embora hoje distante, com os dois países em conflito.

O município de Nova Odessa, que tem uma população aproximada de 61 mil pessoas e PIB per capita de R$ 64 mil, teve em seu berço colonizador a influência de imigrantes do Leste Europeu e da Rússia, um país transcontinental situado parte na Europa e parte na Ásia. A origem desse elo com a imigração passa pelo fundador da cidade, o médico Carlos José de Arruda Botelho.

O fundamento dessa influência está ancorado em duas situações: 1) a difícil vida dos imigrantes em solo estrangeiro, vítimas de opressões religiosas e políticas e de condições econômicas precárias, o que motivou o êxodo para o Brasil; 2) a necessidade dos fundadores de cidades brasileiras de ter pessoal para o trabalho nas fazendas, um processo que “explodiu” no País com a chegada de italianos e japoneses já no século 20.

 

Bandeira de Nova Odessa na RMC

 

 

Brasão de Nova Odessa na RMC

 

Por que russos?

Em Nova Odessa, houve uma situação peculiar. Até então, como no eixo do Brasil em desenvolvimento, a mão de obra que sustentava as lavouras e as obras era escrava. Com a abolição da Escravatura, no final do século 19, os donos de terras e colonizadores voltaram os seus olhos para as famílias europeias, que viviam situações de conflito isoladas e, depois, uma grave crise por conta do advento da Primeira Guerra Mundial.

Até então, a Itália seguia como o “maior fornecedor” de imigrantes ao Brasil. A história de formação de Nova Odessa cita em seus textos oficiais, como os disponíveis no site da Prefeitura, que o fundador Carlos Botelho, responsável por liderar o desenvolvimento do então Núcleo Colonial de Nova Odessa, percebeu que era possível atrair os imigrantes russos.

 

Para isso, segundo o site oficial, “instruiu o seu auxiliar e amigo Augusto Ferreira Ramos (que estava em Nova York em missão do governo), para estudar a possibilidade de canalizar parte desse movimento para o Brasil”.

No início do século passado, narram o livros de história, esses imigrantes começam a chegar a Nova York e Londres. Depois, esse ciclo começa a considerar o Brasil como opção.

O site oficial da Prefeitura de Nova Odessa informa o seguinte: “Em 2 de agosto de 1905, desembarcaram em Santos, procedentes de Southampton, trazidos pelo vapor Aragon, mais 379 judeus russos. Foram enviados para vários núcleos, entre eles o de Campos Salles e o de Nova Odessa”.

Estavam, portanto, estabelecidas as primeiras conexões dessa influência do Leste Europeu.

 

Colonos letos que vieram para Nova Odessa Foto: Divulgação

Experiência não deu certo

Esse primeiro movimento acabou não dando certo, pois os russos não eram afeitos a trabalhos agrícolas, a principal necessidade do Núcleo Colonial de Nova Odessa. De acordo com os relatos oficiais, esses imigrantes se dispersaram e buscaram alternativas de sobrevivência nas áreas mais urbanas.

 

É neste momento que acontece um outro fluxo migratório para a cidade da RMC.

 

“Com o malogro da primeira experiêcia com imigrantes russos, a atenção da Secretaria de Agricultura voltou-se para a possibilidade de trazer para Nova Odessa, imigrantes da Letônia, que também eram considerados “russos” e que já estavam instalados em colônias, nos estados de Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, explica o site oficial.

 

Imagem que confirma a visita de Carlos Botelho a Nova Odessa, cidade hoje situada na Ucrânia Foto: Divulgação

 

Por que Nova Odessa?

A história oficial da cidade conta que o fundador Carlos Botelho, ruralista e grande estrategista para o desenvolvimento, visitou o Leste Europeu no início do século passado. Uma foto de sua visita está retratada no botão História do site da Prefeitura. O nome Nova Odessa, portanto, é uma inspiração à cidade que visitou. De acordo com esses relatos, Carlos Botelho gostou do estilo das ruas e do urbanismo que viu, por isso decidiu usá-la com referência.

 

A versão de que ucranianos também ajudaram na formação de Nova Odessa é desmentida pela história oficial.

 

O Hora Campinas perguntou para a assessoria de imprensa da Prefeitura de Nova Odessa e a resposta foi taxativa: não houve migração ucraniana para a RMC. O site oficial que retrata a imigração ucrania para o Brasil afirma que houve duas grandes levas de imigração: mil famílias no final do século 19 e mais mil famílias no início do século 20, a maioria esmagadora para o Sul do País.

 

Nova Odessa na Ucrânia, próxima do Mar Negro

 

A estação ferroviária de Odessa, na Ucrânia

A Odessa ucraniana

A cidade europeia (algumas publicações citam-na com um “s” – Odesa) foi fundada oficialmente em 1794, depois de a Rússia ter anexado territórios anteriormente pertencentes à Turquia. Ao longo dos tempos, de acordo com a Wikipedia, formou-se uma larga comunidade judaica em Odessa, proveniente da parte ocidental do país, tornando-a a mais judia das grandes cidades do Império Russo.

No período 1921-1922 como resultado da guerra, Odessa foi assolada por uma grande fome. Na Segunda Guerra Mundial, a cidade foi ocupada por exércitos romenos e alemães e foi finalmente libertada em abril de 1944.

 

Bandeira de Nova Odessa na Ucrânia

 

Brasão de Nova Odessa na Ucrânia

 

Odessa continua a ser um destino de férias importante. Embora o ucraniano seja a língua oficial, a língua mais usada é o russo. A cidade apresenta uma mistura de várias nacionalidades e grupos étnicos, entre eles russos, ucranianos, judeus, gregos, moldávios, búlgaros, caucasianos, alemães e coreanos, entre outros. A cidade tem aproximadamente 12 mil habitantes.

 

Tags: carlos de arruda botelhoHora CampinasNova OdessaRMCRússiaucrânia
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