Mais da metade da renda das pessoas menos favorecidas é destinada à compra de alimentos. Estamos falando de itens básicos, como arroz, feijão, óleo, macarrão, sal. E, por isso, o Brasil está com o pescoço na guilhotina.
O custo de não estarmos oferecendo uma boa educação para todos, sejam crianças, adolescentes ou jovens, continua sendo o maior dos problemas dessa maioria de brasileiros que ainda vivem abaixo da linha da pobreza, e as perspectivas estão se tornando cada vez mais limitadas.
Apenas dois em cada dez adolescentes e jovens concluem o Ensino Médio e, sem educação de qualidade e formação técnica, a população adulta se torna mais vulnerável à dependência de programas sociais, precisando do governo para sobreviver.
Os programas como o Bolsa Família e a Previdência Social são necessários para auxiliar a população, uma vez que a falta de acesso à educação limita as oportunidades de emprego e renda dessas pessoas.
Falar em salário-mínimo como meio de sobrevivência pode até parecer uma piada, sendo irreal. O valor do salário-mínimo não é suficiente para cobrir as necessidades básicas da população, como alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte e despesas imprevistas. Essa situação pode levar muitos a buscar trabalhos informais ou, em casos mais extremos, a recorrer à criminalidade.
Os desafios dessa população são agravados por falhas nos mecanismos de proteção social. Meu amigo José Pastore, economista e sociólogo, que completará 90 anos amanhã, 3 de maio expressa sua preocupação com o futuro do País, pois, de acordo com o último Censo, dos 2,5 milhões de brasileiros nascidos no ano passado, estima-se que apenas 500 mil conseguirão concluir o ciclo educacional básico. Infelizmente, ter brasileiros sem educação e apenas medianamente alfabetizados é o maior crime que cometemos enquanto nação.
O professor José Pastore não se conforma com essa crise evidente a qual poucos dão atenção. Parece até que a sociedade mais preparada e os políticos não percebem que todos nós estamos em um ônibus sem freios, descendo uma serra. E os ricos, em seus belos carrões na frente, nem imaginam o que vem atrás.
Se a Avenida Faria Lima, principal polo do mercado financeiro paulista, se preocupa apenas com resultados imediatistas e ignora a realidade social, é necessário questionar essa visão otimista. A realidade de um país em que grande parte da população depende de programas sociais para sobreviver, sem perspectivas de emprego digno e justo, não deixa margem para dúvidas sobre a gravidade da situação que estamos enfrentando.
A saída para esse cenário exige um pacto nacional que envolva, não apenas o Estado, mas também o setor privado e toda a sociedade. Investir de forma consistente em educação básica, saúde e capacitação profissional não pode ser visto como despesa, mas sim como investimento estratégico no futuro do País. Empresas, lideranças e cidadãos precisam compreender que o combate à desigualdade é uma responsabilidade coletiva, e que a estabilidade social depende do bem-estar de todos, não apenas de uma elite privilegiada.
Um país onde milhões vivem à margem não pode ser considerado verdadeiramente desenvolvido. O progresso real só acontece quando é compartilhado e isso exige coragem política, consciência social e compromisso com a justiça.
Ainda é possível mudar essa trajetória. O Brasil é um país de enorme potencial humano, cultural e natural. Não podemos aceitar que a desigualdade seja o nosso destino. É tempo de levantar a cabeça, unir esforços e fazer da educação, da dignidade e da inclusão social os pilares do nosso País. Um Brasil onde todos tenham lugar à mesa.
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







