Este é o artigo de número 142 que escrevo para o Hora Campinas. Sim, o tempo passa rápido e fico cada vez mais orgulhoso de ver como esse projeto jornalístico inovador avança e se consolida na conquista de leitores e de credibilidade. Isto em função do esforço pela excelência de uma equipe com quem já tive a honra de trabalhar em outra oportunidade e agora volto a colaborar, em um veículo cheio de vigor e fazer o que o jornalismo pode fazer de melhor. Um espaço democrático, plural, mas que não abdica de seus valores principais, seus compromissos com o Estado de Direito e os direitos humanos. Parabéns Hora Campinas, vamos em frente em nossa missão!
Que o Hora Campinas traga ótimas notícias em 2026 para todos lermos com prazer. Que ele divulgue por exemplo a extinção ou no mínimo a radical queda do número de feminicídios em Campinas, na região e no Brasil.
Foi impressionante a escalada da violência contra a mulher em 2025, em todas as suas dimensões. O assassinato covarde, como a pior delas.
Nós vimos várias manifestações de machismo e misoginia neste ano que termina. Foram diversas, por exemplo, no esporte, e sobretudo no futebol. O futebol feminino avançou bastante, assim como a participação da mulher no jornalismo esportivo, e isso parece incomodar os machões que acham que o futebol é território deles. Então eles detestam o avanço feminino, assim como continuam manifestando a sua homofobia e racismo. A FIFA (e a CBF) deu saltos no combate a tudo isso, mas ainda poderia fazer muito mais, com certeza.
Também gostaria muito de ver o Hora Campinas noticiando em 2026 avanços concretos da luta contra o aquecimento global. Em 2025, mais uma vez assistimos a oportunidades de ouro perdidas nessa batalha, como foi no caso da COP30 em Belém. De novo, muito discurso, muito esforço diplomático, com certeza, mas muito, muito pouco de real, de palpável. Os combustíveis fósseis continuam sendo valorizados e sendo a causa central tanto das mudanças climáticas como de conflitos armados que ameaçam colocar a paz mundial em risco (vide ataques norteamericanos à Venezuela).
Os investimentos em energia renovável estão, sim, em escala crescente, mas é fundamental que a transição energética adquira um ritmo ainda maior. E o Brasil pode se aproveitar muito disso, com as alternativas que têm à disposição, como os biocombustíveis que podem ser muito melhor explorados. Só vejo um risco grande de retomada da aventura nuclear, que não é nem de longe a solução para a transição energética, pois continua cara e perigosa.
Gostaria muito de ler no Hora Campinas, igualmente, em 2026 que foram neutralizados os grandes retrocessos que tivemos na legislação ambiental no Brasil. Em 2025, a maioria do Congresso Nacional atuou contra o país, ao aprovar mudanças inconcebíveis na legislação, abrindo o caminho para a aceleração da degradação. Foram mudanças em especial no licenciamento ambiental, com o afrouxamento de regras para empreendedores.
Todos estão sentindo na pele, nos últimos dias, os efeitos das mudanças climáticas, com essa onda de calor impressionante em grande parte do país. É um evento climático extremo resultante do aquecimento das temperaturas que, no caso do Brasil, derivam na maior parte de emissões decorrentes do desmatamento da Amazônia e do Cerrado. Inundações espetaculares, deslizamentos, alagamentos assustadores. Tudo isso tende a se complicar, se nada for feito e imediatamente. Que 2026 seja um ano de virada completa em termos de preparação das cidades brasileiras para os eventos extremos e, ao mesmo tempo, de empenho mais robusto de governos e empresas na transição energética e medidas preventivas.
Em termos domésticos, de Campinas, gostaria de ver o fortalecimento em 2026 da união entre poder público e sociedade civil.
Campinas tem recursos impressionantes, Universidades do mais alto nível, centros de pesquisa e desenvolvimento com alta qualidade. E tem também organizações da sociedade civil muito atuantes, muito influentes em suas respectivas comunidades e campos de atuação. Entendo que poderia haver uma articulação ainda maior para que políticas públicas fossem ainda mais eficientes e impactantes em vários segmentos. Vimos bons experimentos em 2025, mas a cidade pode avançar ainda mais em cooperação e parceria. Sempre disse repito que Campinas brilha quando é ousada, corajosa.
Como jornalista e escritor, gostaria de ver especialmente o fortalecimento de iniciativas para que Campinas se destaque como uma cidade leitora, amante do livro. Que o livro, físico sobretudo, mas também o digital, esteja no centro de uma agenda cultural que seja plural, é claro, atenta às diversas linguagens artísticas.
O livro, entretanto, precisa e pode ser ainda mais valorizado, pois ele abre as portas para outras expressões artísticas e culturais, o livro ainda é a base de muita criatividade em outros campos das artes. Foi ótimo ver a retomada em 2025 do Centro de Convivência Cultural como um dos espaços mais criativos das artes e da cultura na cidade.
Que 2026 seja o ano de um salto especial na valorização do livro em Campinas. É o desejo de um escritor que sabe o potencial de expansão da atividade leitora na cidade, como plataforma de fomento da consciência crítica e do exercício da cidadania e cultura de paz.
Enfim, parabéns novamente Hora Campinas pelas grandes conquistas já obtidas, que sua trajetória seja cada vez mais rica e produtiva. Campinas, o Brasil, o mundo precisam muito de um jornalismo comprometido e ético, e é o que o Hora está entregando.
Que em 2026 ele seja o portal de muita notícia positiva para avanços civilizatórios e de desenvolvimento sustentável, nessa cidade magnífica, no país que merecemos e no planeta tão sofrido. Feliz 2026 a todas e todos!
José Pedro Martins é jornalista, escritor e consultor de comunicação. Com premiações nacionais e internacionais, é um dos profissionais especializados em meio ambiente mais prestigiados do País. E-mail: josepmartins21@gmail.com.







