Nem parece que há quatro meses Maria quase foi consumida pelo fogo. A jabuti vive saudável em um santuário da espécie na zona sul de São Paulo, onde, aliás, é atração. Resgatada de um incêndio numa casa na Capital, ela não só nasceu de novo, mas recomeça a vida em grande estilo: a jabuti possui agora um casco construído em impressora 3D.
A aplicação da tecnologia no hospital veterinário da UniFAJ, de Jaguariúna, mobilizou profissionais da região de Campinas e livrou o animal da morte.
Maria ficou bem debilitada após o imóvel sob o cuidado de protetores, onde estava, pegar fogo no dia 13 de novembro de 2022. “Ela teve queimadura nos olhos e pernas e o pulmãozinho ficou comprometido, pois houve inalação de muita fumaça”, diz o médico veterinário Alex Alcantara, responsável pelo resgate. “Cuidamos primeiro desses problemas para depois pensar no casco, que ficou bastante danificado.”
Com a perda da queratina, o casco já não servia mais para a proteção de Maria e um novo precisava ser feito. Entre as possibilidades analisadas, a opção foi investir em um procedimento inédito. E bastaram 24h para que a jabuti já estivesse com sua nova casa. O engenheiro mecânico Geraldo Gonçalves Delgado Neto, que fez parte da equipe responsável pela operação, explica como foi o trabalho.
“A tomografia computadorizada tirou fotos em fatias do casco. Então foi possível, por meio de um software, interpretar essas imagens em um modelo 3D. Aí se consegue modelar o casco danificado, reconstruir e imprimir. O material é leve e parafusado na parte óssea”. Alcantara acrescenta que a proteção é feita de ácido polilático (PLA) biodegradável, composto de casca de beterraba e bagaço de cana de açúcar.

A adaptação da jabuti à nova casa foi rápida, diz o médico veterinário. “No dia seguinte, ela já estava se locomovendo e se alimentando. Nem parecia que havia passado pela cirurgia.”
Alcantara lembra que um procedimento semelhante chegou a ser feito há sete anos, mas destaca que a tecnologia empregada agora é bem mais avançada. “Na época, foram tiradas 5 mil fotos do jabuti e, por meio de um software, foi possível construir o casco. O processo, no entanto, levou seis meses”, conta, lembrando o caso do jabuti Fred, também vítima de incêndio e que entrou para o Guinness Book como o primeiro animal a receber uma prótese no mundo feita em impressora 3D.
Como é um jabuti sem o casco?
Sem a proteção do casco, um jaboti dura, no máximo, seis meses, explica o médico veterinário Alex Alcantara. “A proteção são as vértebras da coluna do animal junto com a bacia, que evoluiu e se constituiu dentro de uma carapaça só. Sem essa proteção, os ossos e toda parte interna do jabuti ficam expostos e ele não sobrevive.”
Bem protegida e adaptada à nova casa, Maria agora pode viver tranquila.


















