Os profetas são os personagens mais importantes do Antigo Testamento. Entre eles, destacam-se Jeremias, Ezequiel e os profetas escritores do Isaías (ao menos três). Jesus, logicamente, é o profeta máximo do chamado Novo Testamento.
Em épocas passadas, o aparelho estatal era intimamente ligado ao aparato religioso. Um era o outro. A religião servia aos propósitos dos governantes, que se consideravam os verdadeiros representantes de deus na Terra. E os profetas (não só os “bíblicos”), foram os que melhor compreenderam o uso bivalente da religião e começaram a denunciar o esquema que os opressores (classe dominante) levava adiante, se enriquecendo cada vez mais e deixando a pobreza para os oprimidos (classe dominada).
Os profetas, que não tinham nada de “videntes”, eram, acima de tudo, perspicazes, com uma ótima leitura social. E também corajosos: ao perceber a injustiça social, era necessário lutar contra ela, dentro e contra um aparelho estatal opressor. Provavelmente eles foram os primeiros a compreender o duplo sentido da religião: iluminar o crente, ou cegá-lo, paralisá-lo.
Os profetas surgiram como os porta-vozes dos que sofriam, pregando a justiça e exigindo o fim das opressões. E, se podemos dizer, inauguram um novo tipo de religião, ética e política, exigindo que as relações dos homens com a divindade passassem, necessariamente, pela relação dos seres humanos, uns com os outros, na prática, e não apenas num sentido abstrato.
Jeremias sofreu a ira dos governantes e dos sacerdotes da época.
Jesus era um profeta perseguido porque pregava uma palavra viva, falava de uma fé verdadeira, que era um instrumento de força para os pobres, oprimidos e humilhados que tanto necessitavam de ajuda. E ajudar os que mais precisam despertava a ira das autoridades religiosas e políticas da época.
Max Weber, sociólogo, se via como o Jeremias do seu tempo. Profetas não se extinguiram. Ainda existem. São os que lutam contra os opressores e denunciam os abusos.
Mas em meio a “coachs” e “influencers”, é difícil ouvir a voz a um verdadeiro profeta contemporâneo que grita e que luta contra o sistema. Perpetua-se a opressão.
“Em meio a mártires e profetas, Deus é o protesto e o poder dos oprimidos.” Rubem Alves.
Gustavo Gumiero é Doutor em Sociologia (Unicamp) e Especialista em Antigo Testamento – gustavogumiero.com.br – @gustavogumiero







