Com muita frequência, ouço profissionais dizendo que querem ganhar mais, ser promovidos, conquistar cargos maiores e ter mais reconhecimento. O discurso é bonito, ambicioso e legítimo. Mas, quando olhamos com mais atenção para a rotina dessas mesmas pessoas, percebemos uma incoerência: elas querem, mas não estão fazendo nada, de forma intencional, para que isso aconteça. Vivem no modo “desejo”, mas não no modo “construção”.
Esse é o primeiro ponto que quase ninguém gosta de encarar: crescimento não acontece por tempo de casa, sorte ou boa vontade da empresa. Acontece quando a pessoa atua de forma consciente sobre sua própria carreira. E isso começa antes da promoção, não depois. Só que grande parte dos profissionais não enxerga as lacunas que precisam ser desenvolvidas para dar o próximo passo. Não sabem qual competência está limitando sua evolução, não analisam sua visibilidade, seu posicionamento, sua forma de comunicar resultados, sua capacidade de atuação estratégica. E quando não há clareza das lacunas, não existe plano de desenvolvimento. Sem desenvolvimento, o crescimento vira uma espera passiva.
Para justificar essa espera, surgem sempre os mesmos argumentos, e o mais comum deles é: “Eu não tenho tempo.” A rotina é corrida, o trabalho exige demais, a vida pessoal cansa. Tudo verdade. Mas, ao analisar de perto como esse tempo é usado, percebemos que existe espaço, apenas não há priorização. Não estou falando de cortar lazer; ele é essencial para uma vida saudável. O problema não é descanso, é desperdício de tempo com atividades que não agregam absolutamente nada ao crescimento profissional. A questão nunca foi “tenho tempo ou não”, mas sim: “o que estou escolhendo priorizar agora?”
Essa é uma pergunta que poucos fazem: neste momento da minha vida, o que eu quero priorizar? Porque, se crescer na carreira é realmente a prioridade do semestre, isso precisa aparecer na agenda. Se não aparece, não é prioridade, é desejo.
Outra justificativa frequente é: “Eu não tenho dinheiro.” A pessoa diz que gostaria de fazer um curso, contratar um mentor, participar de um programa de desenvolvimento… mas “não pode gastar com isso agora”. Curiosamente, quando olhamos para suas finanças, vemos que nenhum real do salário está sendo reinvestido nela mesma. E aqui vale uma reflexão simples: como uma empresa cresce? Reinvestindo seus lucros em melhorias, tecnologia, novos produtos, capacitação da equipe. E, quando não tem caixa, faz empréstimo, parcela, porque entende que o retorno virá depois. É assim que negócios evoluem. Por que entendemos essa lógica no mundo empresarial, mas não aplicamos na nossa própria carreira?
Desenvolvimento profissional não é despesa. É investimento com retorno. É o tipo de investimento que aumenta salário, abre portas, gera oportunidades e constrói segurança. E, de forma direta: se nem você investe em você, por que espera que uma empresa invista?
A grande verdade é que muita gente diz que quer crescer, mas continua operando no automático, repetindo a mesma atuação, esperando reconhecimento apenas por fazer o básico. Só que crescer na carreira não é apenas entregar tarefas. É comunicar valor. É ter visão estratégica. É construir reputação. É se comportar como alguém do próximo nível antes de receber o título. Carreira não é reação, é construção.
E aqui vai uma das verdades mais duras, mas também mais libertadoras: no mercado atual, se você não está crescendo, está ficando para trás. Não existe neutralidade. As demandas mudam rápido demais para quem se acomoda no “já sei fazer isso”. O que ontem era diferencial, hoje é requisito. E aquilo que você não desenvolve, alguém desenvolve. E passa na sua frente.
Crescimento não acontece por acaso. Ele é consequência de três elementos que se reforçam: clareza, prioridade e ação. Clareza para enxergar onde você quer chegar e o que está faltando para isso. Prioridade para encaixar esse desenvolvimento na rotina, mesmo com uma agenda cheia. Ação para investir tempo, energia, dinheiro e comportamento em você.
A pergunta que realmente define o futuro profissional de alguém é simples, e ao mesmo tempo profunda: Você está apenas querendo ser promovido… ou está comprometido com a construção do seu próximo passo?
Porque querer é confortável. Comprometer-se exige escolha. E toda escolha aparece na rotina. Crescer na carreira não é sobre ter sorte, é sobre ter direção. Não é esperar oportunidades, é estar pronto para criá-las ou aproveitá-las quando surgem. Não é sobre tempo ou dinheiro, é sobre prioridade.
No fim das contas, existe uma linha invisível que separa quem avança de quem estagna: uns desejam, outros se tornam intencionais. E, no mercado de trabalho, intenção consistente sempre vence desejo passivo.
Então, deixo esse convite sincero e direto: Você está só querendo… ou está, de fato, construindo o profissional que deseja ser?
Karine Camuci é fundadora da Você Empregado, empresa tem dois importantes compromissos: preparar os profissionais para conseguirem um novo emprego, atuando desde o reconhecimento de competências individuais até a aprovação em processos seletivos; e auxiliar empresas no tocante à responsabilidade social após desligamentos de funcionários e no suporte em processos de headhunting, visando a contratação de novos colaboradores.







