Um dos itens que poderão estar inseridos na fatura da vida quando esta chegar talvez seja o uso da máscara do sorriso. Já ouviu falar nela? Não sei se pelo nome ela lhe seja familiar, para tanto sugiro-lhe dar uma olhada nas redes sociais em geral, até mesmo nas suas e é bem provável que encontrará apenas fotos sorrindo, de bons momentos, acompanhados de pessoas especiais, sempre com ele: o sorriso, escondendo o real sentimento que advém de momentos difíceis que se estava passando naquele momento.
Andei pesquisando sobre instrumentos de torturas medievais e havia além dos mais clássicos um extremamente diferente, inusitado , diria que lá, meados do século XVIII, já anteviam o que passamos atualmente, pois o instrumento de tortura que me refiro literalmente se chamava máscara do sorriso.
A ideia era justamente que a pessoa sofresse nesse paradoxo social, com marcas de sangue, cortes, dores por todo o corpo, porém sempre sorrindo, quase sugerindo que passar por tudo aquilo fosse prazeroso, ou que não estava sofrendo tanto; o que acabava sugerindo que mais sofrimento lhe fosse direcionado.
Pois bem, esconder a dor, eis a grande provocação, a grande inquietação deste capítulo meu querido leitor, minha querida leitora. O que se ganha com isso? Qual o princípio de tal postura? Por que usar a “máscara do sorriso” em pleno século XXI?
Há quem esconda o sofrimento, dores e angustias existenciais por minutos apenas. Esses têm maior liberdade de senti-la e expô-la, mas há outros que não se permitem fazer o mesmo, pois há muita coisa em risco, tal como a imagem social, no emprego, dentre o círculo social, na própria família e optam por usar tal máscara praticamente o dia todo, a semana toda, o mês todo e por aí vai…
E por aí vem, vem a fatura e nela o preço que se paga por não se permitir sentir a essência dos momentos difíceis, ruins, delicados, sofridos, é na fatura que estará descrita as doenças emocionais, e com elas de maneira psicossomáticas, as físicas, o pior é que essa fatura não tem um momento certo para chegar, ela é singular, individual, incomparável, única, e vem em momentos distintos, não importando a idade.
Acúmulo de dores emocionais por detrás de sorrisos falsos irão lhe custar caro, mais cedo ou mais tarde, a fatura da vida irá chegar e resta saber como você irá pagar, qual o preço que isso lhe custará.
Permita-se ser honesto consigo mesmo, permita-se chorar, sofrer com perdas, pois não somos de ferro, somos humanos. Deixa sua máscara do sorriso de canto e permita-se viver sem máscara alguma assim, assumindo a sua vida como um todo quem sabe aprenderá a lidar melhor com fatos indesejados, quem sabe se torna uma pessoa calejada de dores, com suas cicatrizes a mostra e apta a lidar com tudo o que vier para lhe trazer sofrimento.
Depois dessa nossa reflexão, gostaria que você parasse alguns minutos para pensar em quais os seus gastos atuais (não me refiro a dinheiro, imediatamente)?
Em quais áreas da vida você investe maior tempo e energia?
Usará da máscara do sorriso para manter as aparências para uma sociedade que não irá lhe ajudar a custear a fatura da vida num futuro próximo ou decide por ser uma pessoa autêntica e humana?
Thiago Pontes é filósofo e neurolinguista (PNL)












