Cada evento raro exige que façamos uma análise abrangente e profunda de seus motivos e causalidades. Estudar os acontecimentos raros e extremos, para que seja possível decifrar os eventos comuns é a abordagem daqueles que se entregam a entender os cisnes negros.
Existem duas formas principais de se abordar tais fenômenos. A primeira: excluir o extraordinário e concentrar-se no “normal”. Em uma situação empresarial, em que o evento inesperado acontece e pode ser ignorado, o líder deixa de lado as peculiaridades, considerando-as aberrações estatísticas, e se volta a casos comuns, à normalidade. Afinal, focar no “normal” e deixar de lado o extraordinário, pode facilitar a identificação de padrões e tendências gerais. Essa é uma estratégia comum em muitas disciplinas, como estatística, ciência de dados e pesquisa social.
Por outro lado, a análise de eventos raros é igualmente valiosa, e esse é o maior papel do líder. Afinal, esses eventos podem fornecer insights únicos e importantes, que não são visíveis quando se olha apenas para o que é comum. Esses fenômenos podem trazer à tona novas compreensões e ajudar a construir modelos possíveis mais robustos e abrangentes.
Sem contar que, muitas vezes, eventos que parecem únicos acabam por redefinir o mundo em que vivemos. A invenção da internet, por exemplo, é classificada como um cisne negro, assim como os ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, e suas influências, positivas ou negativas, moldam até hoje a realidade que nos encontramos.
Abordar a raridade com atenção e astúcia pode enriquecer nossas análises e fornecer uma visão mais holística dos fenômenos raros. Separar os eventos normais dos extraordinários é fundamental para compreendermos a natureza de cada acontecimento. E, ao analisar os extraordinários, a abordagem deve considerar que para compreender um fenômeno é necessário levar em conta os extremos, especialmente se for algo realmente muito estranho, o que chamaríamos enfim de cisne negro. Algo considerado impossível e que um dia foi descoberto.
Alguns dizem que se você quiser ter uma noção do temperamento, da ética e da elegância pessoal de um amigo, é necessário observá-lo sob as provações de circunstâncias severas e não sob a luz cotidiana, no vocabulário popular: é no momento do aperto que as pessoas se revelam. Somente por meio do inesperado descobriremos algo que nos ajude a compreender melhor o outro, esse momento será sob estresse ou exaustão.
Os cisnes negros representam um exemplo do impossível existir, pois eram considerados inexistentes pelos europeus até sua descoberta na Austrália, no Novo Mundo. De certa forma, sua aparição revela que o mundo parece estar estranho, e mais coisas exóticas podem ocorrer. Se alguém contasse 30 anos atrás que um dia faríamos tudo por um celular, não acreditaríamos. Mas hoje, se alguém não usar celular, será julgado um orangotango!
O que usaremos em 10, 20, 30 anos? Quantos novos mundos podem mudar o mundo?
Luis Norberto Pascoal é empresário e presidente da Fundação Educar







