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Home Internacional

Agência da ONU lista desafios enfrentados pelas mães no mundo

Redação Por Redação
8 de maio de 2022
em Internacional
Tempo de leitura: 5 mins
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Agência da ONU lista desafios enfrentados pelas mães no mundo

De acordo com o Relatório "O Estado da População Mundial 2022", gravidez como resultado de estupros ocorrem de forma igual do que gravidezes de sexo consensual - Foto: Unicef/Thoko chikondi

O Dia das Mães é celebrado em diversos países neste domingo (8) e, enquanto a data é motivo de comemoração, o Fundo de População das Nações Unidas (Unfpa) destaca que a maternidade pode ser uma sobrecarga.

A agência da ONU menciona a realidade de mulheres que precisaram fazer seus partos em porões em meio à guerra na Ucrânia ou sob pontes após um furacão ter passado nas Honduras, por exemplo.

O órgão lembra que criar filhos traz sempre desafios, destacando que as mulheres já enfrentavam uma sobrecarga da jornada mesmo antes da pandemia de Covid-19, conciliando vida profissional, tarefas domésticas e cuidados com filhos e outros familiares.

Aquelas que decidiram sair temporariamente do mercado de trabalho para criar os filhos, podem encontrar dificuldades para retomar suas profissões, dificultando a vida financeira.

Outra complicação mencionada pelo Unfpa é a mortalidade materna, que atinge 211 mulheres para cada 100 mil nascimentos. Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis pedem que a taxa seja reduzida para 70 mortes por 100 mil nascidos vivos. Conheça, a seguir, cinco coisas que você precisa saber sobre a maternidade.

1- Mortalidade materna aumenta em situações humanitárias e frágeis.

Não é nenhuma surpresa que tudo é mais difícil em contextos humanitários ou frágeis. Em relação à fertilidade, as mulheres arcam com tudo, desde a gravidez (e até quando ficam grávidas sem nem mesmo querer, por falta de acesso a anticoncepcionais ou violência de gênero) até gravidezes e nascimentos complicados.

De acordo com o Unfpa, mais de 500 mulheres e meninas morrem em situações de emergência todos os dias devido à complicações na gravidez ou no parto.

No Iêmen, país em conflito, uma mulher morre no parto a cada duas horas. Já no Tigray, na Etiópia, 120 mil grávidas estão desnutridas. No Afeganistão, é possível que 4,8 milhões de gravidezes não intencionais ocorram até 2025.

De acordo com o Índice de Países Frágeis 2017, 15 nações foram consideradas estarem em “altíssimo alerta” ou “alerta alto”: Sudão, Somália, República Centro Africana, Iêmen, Síria, Sudão, RD Congo, Chade, Afeganistão, Iraque, Haiti, Guiné, Nigéria, Zimbábue e Etiópia. A maioria desses países enfrenta contexto frágil e tinham taxas de mortalidade tão altas como 1,150 por cada 100 mil nascimentos, como é o caso do Sudão.

O Unfpa cita ainda Moçambique, que tem uma das taxas de mortalidade maternas mais altas do mundo, de 452 mortes por cada 100 mil bebês nascidos. Este relatório destaca que “situações de emergência humanitária ou de conflito, pós-conflito e de desastre diminuem progressos de forma significativa”. Nestes cenários, a quebra dos sistemas de saúde causa um aumento dramático das mortes por complicações que poderiam ser facilmente tratadas sob condições estáveis.

 

Mulher com bebê de dois meses em uma estação de trem em Uzhhorod depois de fugir do conflito na Ucrânia. – Foto: Unicef /Olena Hrom

2-As mães não são reconhecidas suficientemente por tudo o que fazem

Outro ponto que não é surpresa: as mulheres fazem mais tarefas não-pagas do que os homens. Um relatório de 2019 da Organização Internacional do Trabalho (OIT0 destaca: “Ao redor do mundo, sem exceções, as mulheres fazem mais de 75% das horas de trabalho não pago.

Elas dedicam em média 3,2 vezes mais tempo do que os homens a cuidados e tarefas sem receber nada por isso. Não existe nenhum país do mundo onde mulheres e homens realizam uma quantidade igual de cuidados não pagos. Como resultado, as mulheres estão sempre sem tempo, o que também reduz a sua participação no mercado de trabalho.

Em famílias com crianças pequenas, as mulheres passam mais tempo em tarefas extras, sem receber nada por isso. Em 2018, as mães de crianças menores de cinco anos de idade representavam as taxas de emprego mais baixas (47,6%) comparadas com os pais (87,9%).

De acordo com a OIT, o valor do trabalho de cuidados não remunerado representa 6,6% do PIB global ou US$ 8 trilhões. O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 5, sobre Igualdade de Gênero, pede, inclusive, o reconhecimento e a valorização do trabalho doméstico e de cuidados não remunerado até 2030.

3-As mulheres morrem durante o parto de várias causas evitáveis

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS) cinco grandes complicações representam três quartos das mortes maternas: hemorragia, infecções, pressão alta na gravidez, complicações na hora do parto e abortos inseguros.

Outras causas pedem mais estudos, como as mortes maternas como resultado de homicídios, suicídios e overdose de drogas. Nos Estados Unidos, um estudo destacou essas três causas como as principais de mortes associadas à gravidez.

Estudos na Etiópia e Egito apontam para uma maior prevalência de comportamentos suicidas entre mulheres grávidas, na comparação com a população em geral.

O Unfpa explica que morte relacionada à gravidez corre quando a mulher morre durante a gravidez ou até um ano após o parto, de causas ligadas ou agravadas pela gravidez, mas não de causas acidentais ou incidentais.

 

Mulher segura criança em Vijaynagar, na Índia. Foto: Unicef /Prashanth Vishwanathan

4- Mulheres ficam grávidas como resultado da violência sexual

De acordo com o Relatório “O Estado da População Mundial 2022”, gravidez como resultado de estupros ocorrem de forma igual do que gravidezes de sexo consensual.

Além disso, violência causada pelo parceiro íntimo está ligada a maiores taxas de gravidez. Essas vítimas têm até o dobro de chances dos seus parceiros se recusarem a usar contraceptivo e até o dobro de reportarem uma gravidez indesejada.

5- Não valorizamos a maternidade o suficiente

Se valorizássemos, não poderíamos já ter erradicado a fístula obstétrica?

Não apoiaríamos mães sofrendo de condições de saúde mental relacionadas ao pós-parto?

Não deveriam todas as novas mães ter tempo adequado para se conectarem aos seus bebês e recuperarem a sua saúde sem correr o risco de perderem seus empregos?

Não deveríamos deixar de assumir que todas as mulheres são destinadas a serem mães, desvalorizando assim a maternidade como algo inevitável e não uma aspiração?

Não deveriam os cuidados com as crianças e as responsabilidades domésticas serem igualmente divididos?

E deveríamos, de verdade, tornar a maternidade uma escolha, fornecendo às mulheres e às meninas as informações, os recursos e o apoio que precisam, como acesso a serviços de saúde reprodutiva e sexual, educação sexual de qualidade, planejamento familiar e acesso a anticoncepcionais, acesso à educação de nível superior e oportunidades econômicas, proteção da violência e acima de tudo, igualdade de gênero para tornar o mundo mais seguro, saudável e mais próspero para todos.

(Agência ONU News)

Tags: desafiosDia das MãesHora CampinasMaternidadeMundoONU
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