Cerca de 10 mil estudantes das escolas municipais de Campinas vão mergulhar na história afro-campineira a partir da próxima quarta-feira, 20 de agosto. Alunos do 6º ao 9º ano e da Educação de Jovens e Adultos (EJA) participarão de um passeio cultural a pé pelas principais ruas, praças e monumentos do Centro, além dos bairros Cambuí e Ponte Preta. O roteiro inclui também a lembrança de personalidades importantes da história da cidade.
O que antes era estudado apenas nos livros agora se torna uma ação pedagógica prática, que vai acontecer entre os meses de agosto e novembro, em parceria entre a Secretaria Municipal de Educação, por meio da Assessoria de Planejamento Estratégico Institucional Participativo (PEIP), e o projeto Rotas Afro.
“O conhecimento rompe com preconceitos e permite ao aluno desenvolver o senso crítico sobre os fatos que contribuíram com a construção e formação de Campinas”, disse o secretário-adjunto de Educação, Luiz Roberto Marighetti.
A iniciativa propõe uma imersão cultural, explorando locais de grande importância histórica no Centro da cidade. Os estudantes serão divididos em turmas, cada uma acompanhada por dois guias do projeto Rotas Afro.
Entre os pontos visitados estão:
♦ Largo e Igreja São Benedito;
♦ Catedral Metropolitana;
♦Largo do Rosário;
♦estátua de Carlos Gomes;
♦Praça Bento Quirino;
♦Largos das Andorinhas e Santa Cruz;
♦sede da Secretaria Municipal de Educação, antiga fazenda que abrigava pessoas escravizadas.
“A proposta é tornar perene essa discussão sobre a história afro-campineira. Uma forma de fazê-la é por meio da construção da cidade. Temos que trazer à memória essas pessoas que tiveram suas histórias e contribuições que foram apagadas”, afirmou a coordenadora do projeto e assessora de Planejamento Estratégico, Mariana Volpato.

Passeios
As ruas do Centro de Campinas serão destinadas aos alunos do 8º ano, que vão conhecer mais sobre o processo de formação da cidade, incluindo como os conhecimentos africanos e indígenas contribuíram para a construção de Campinas.
O roteiro aborda ainda a formação de quilombos, revoltas, clubes negros e irmandades religiosas, entre outros temas históricos.
O bairro Cambuí, que foi um importante espaço de resistência negra no período pós-abolição, será explorado pelos alunos do 9º ano. Durante o passeio, será apresentada a história do local, suas transformações ao longo do desenvolvimento urbano, além dos processos de exclusão racial decorrentes da valorização imobiliária e de políticas urbanas que desconsideram a presença das populações negras nos territórios.
Personalidades negras
As personalidades negras e seus legados históricos e culturais serão o foco do roteiro dedicado aos estudantes do 7º ano.
A proposta é destacar a trajetória de figuras negras que se tornaram expoentes na cidade, como ativistas, artistas, líderes comunitários e intelectuais. Para isso, os alunos visitarão locais como a Liga dos Homens de Cor, a Estação Cultura e a Casa do Hip Hop.
As tradições de matriz africana presentes em Campinas serão estudadas pelos alunos do 6º ano.
Para conhecer a música, a dança, a religiosidade e a gastronomia, considerados patrimônios imateriais, eles visitarão espaços como o Tainã e a escola de samba Rosa de Prata.

– Foto: Carlos Bassan/PMC
Rotas Afros
Criado em 2019 na cidade de Piracicaba, o Rotas Afro, foi idealizado por Julia Madeira, em uma iniciativa de museologia social que narra a história negra das cidades por meio de caminhadas turísticas e pedagógicas.
O projeto começou em colaboração com o Sesc para mapear e explorar pontos históricos relacionados à população negra de Piracicaba. Desde então, ele expandiu sua atuação para várias cidades, incluindo Campinas, Vinhedo e Rio Claro.












