O torcedor brasileiro apaixonado por futebol acordou nesta segunda-feira (6) com um gosto amargo pela eliminação nas oitavas da Copa do Mundo. Foi a pior participação em mundiais desde o penta em 2002. O sonho do hexa ficou pelo caminho, deixando escancarada a óbvia constatação de que a Seleção Brasileira é hoje um time comum, da segunda prateleira do esporte. A ideia de melhor do mundo esfarelou há um bom tempo.
A caminhada até a disputa nos EUA, México e Canadá mostrou um elenco cheio de problemas de contusão, mas, sobretudo, um conjunto que dava pouca esperança ao torcedor. Os primeiros jogos, ainda cercados de desconfiança, serviram para inflamar a torcida, que passou a acreditar mais. Porém, com aquele traço de dúvida.
A partida deste domingo revelou falhas que já eram observadas pelos comentaristas esportivos. No fim, uma melancólica despedida que, mais uma vez, coloca o Brasil no divã. E agora? Manter Carlo Ancelotti até o próximo ciclo de 2030, já que ele já teve o contrato renovado? Renovar toda a base da Seleção? Aposentar de vez Neymar e agradecer o atleta pelos serviços prestados à Seleção? São muitas as perguntas.
O Hora Campinas preparou uma lista de dez motivos que explicam o fracassso. Confira e veja se você concorda.

♦ Detalhes de um jogo de futebol que conspirararam para a derrota. Foram vários neste domingo: pênalti perdido por Bruno Guimarães, escolhas erradas de passe em lances capitais, falhas da zaga nos dois gols de Haaland, gol desperdiçado por Endrick, defesas incríveis do goleiro norueguês e mudanças ruins de Ancelotti no jogo.
♦ Ciclo tumultuado antes da Copa. A preparação da Seleção Brasileira deixou a desejar porque o técnico Carlo Ancelotti teve apenas um ano de trabalho. Em nenhum momento, teve um time-base. Conspirou para a derrocada a perda de jogadores por contusão, como Rodrygo, Estevão e Militão, além do lateral Wesley, cortado em amistoso pré-Copa.
♦ Falta de um centroavante e de um meia articulador. É inconcebível que uma seleção do tamanho do Brasil não tenha tido um atacante matador, que pudesse brigar pelas bolas dentro da área, nem um jogador talentoso, que articulasse as jogadas, com refino tático e maturidade. Só jogo em transição é muito pouco.
♦ Escolhas questionáveis na convocação. A divulgação de uma lista de jogadores é sempre controversa, ainda mais com “200 milhões de técnicos” no Brasil. Porém, as opções de Carlo Ancelotti revelaram-se frágeis. O Brasil não teve um lateral-direito de ofício com a contusão de Wesley. Além disso, a lateral esquerda não passava segurança. No gol, Alisson também não inspirava confiança. E o meio de campo da Seleção, que teve tantos craques ao longo da história, era o retrato de um Brasil mediano.
♦ Ausência de atletas “blockbuster”. O Brasil foi se apequenando ao longo dos últimos anos. O último talento, que fazia diferença, foi Neymar, que passou por várias contusões recentes e chegou sem vitalidade para desequilibrar. Vini Jr, de quem se esperava protagonismo, jogou mal no jogo contra a Noruega e não bateu o pênalti decisivo, deixando para Bruno. Enquanto isso, seleções rivais exibem talentos “blockbuster”, como Argentina (Messi), Portugal (Cristiano Ronaldo), Noruega (Haaland), França (Mbappé) e Inglaterra (Harry Kane). Todos eles chamam a responsabilidade e são protagonistas. Inclusive, disputam a artilharia da Copa.
♦ Esquema tático desconectado com as tradições brasileiras. É assustador que o Brasil de Ancelotti prefira jogar sem a bola, ou seja, atuar em transições rápidas, sem controlar a partida. Nem sempre essa estratégia dá certo, como foi o caso contra a Noruega. No jogo da eliminação, o Brasil teve apenas pouco mais de 30% de posse de bola. É inconcebível para um país pentacampeão. Jogar sempre por transição é uma escolha pobre e que rejeita o talento brasileiro.
♦ Péssima gestão do futebol pela CBF. A Confederação Brasileira de Futebol é uma entidade cercada por escândalos, que flerta muito mais com o poder do que com a essência do futebol. A espetacularização, os grandes patrocínios, os interesses comerciais e as administrações passadas de muito amadorismo cobraram um alto preço nesta Copa. É preciso uma reestruturação profunda, a começar pela CBF.
♦ Atletas sem identidade. Seria injusto afirmar que os jogadores não ligam para a Seleção. Porém, há uma clara escala de valores, se analisado o perfil dos principais atletas e a caminhada deles por seus clubes. Grandes contratos, distância do Brasil, pouca identidade com o povo brasileiro e desconexão com os problemas sociais e políticos do País criaram uma geração de atletas sem espírito nacional e sem conexão com os pilares que sustentam a defesa de uma camisa como a da Seleção Brasileira, com tanta história.
♦ Falta de um líder em campo. A Seleção Brasileira não tem um líder, aquele jogador que tem voz de comando, que cobra os companheiros, que modifica uma situação adversa dentro do gramado. Casemiro não é esse atleta.
♦ Fragilidade emocional e pressão. Os 24 anos sem título (que agora vão virar 28 até 2030) e a ausência de uma força emocional coletiva da Seleção fragilizam o elenco em mata-mata. Isso ficou evidente assim que o Brasil tomou o primeiro gol da Noruega. Carlo Ancelotti, de quem se esperava muito neste quesito, também fraquejou à beira do campo, ficando sem ação quando Haaland destruía a defesa.












