Esse é o momento do ano em que muitos profissionais começam a planejar o futuro sem antes olhar para aquilo que viveram. E olhar para trás não é um exercício nostálgico, muito menos punitivo. É um gesto de consciência. É reconhecer que existe um antes, um durante e um depois, e que cada uma dessas etapas carrega informações essenciais para o próximo passo. Antes de decidir para onde ir, é preciso entender quem você se tornou ao longo do caminho.
A verdade é que, em algum momento do ano, você passou por situações que te transformaram. Momentos difíceis que, enquanto aconteciam, pareciam injustos, pesados ou sem sentido. Desafios que te fizeram questionar sua capacidade, sua direção ou até sua própria história. Obstáculos que você talvez tenha interpretado como fracasso, mas que hoje, vistos com distância, mostram maturidade, crescimento e uma versão de você que não existia em janeiro. Muitas vezes, só compreendemos a importância de um “não” quando um “sim” muito melhor chega, como no caso de tantos profissionais que só percebem o livramento depois da oportunidade certa aparecer.
A autoavaliação do ano é, acima de tudo, um convite à honestidade. Como você se comportou diante dos seus desafios? Como lidou com sua energia, sua comunicação, suas relações? Em que momentos deixou a emoção te arrastar? Em quais situações mostrou mais força do que imaginava? O que você evitou por medo? E o que encarou, mesmo tremendo? Existe um padrão de pensamentos que te acompanhou, e é fundamental reconhecer se ele te impulsionou ou te sabotou. Crescimento não acontece apenas no campo técnico; ele começa na forma como você interpreta a realidade e reage a ela.
E não tem como falar de autoavaliação sem incluir aquilo que tantas pessoas fingem que não impacta a carreira: corpo, mente e alma. Como você tratou o seu corpo neste ano? Como lidou com o estresse? Como cuidou das suas relações? Como se deu descanso, pausa, silêncio? Quantas vezes você ultrapassou seus limites para atender expectativas alheias? Quanto da sua energia foi consumida por situações que sequer fazem parte do seu propósito? São perguntas desconfortáveis, mas absolutamente necessárias, porque uma carreira não sobrevive por muito tempo quando o corpo pede socorro e a mente está no automático.
Também é importante olhar para suas escolhas profissionais. Você se movimentou ou esperou que as oportunidades caíssem no colo? Fez networking ou se isolou? Atualizou suas habilidades ou passou o ano “apenas trabalhando”? Construiu sua reputação de forma intencional ou deixou que ela fosse formada pelos outros? Se posicionou ou se acomodou? É aqui que muitos profissionais percebem o quanto viveram no modo sobrevivência, apagando incêndios, mas sem nutrir a própria trajetória.
Esse processo não é sobre julgar, é sobre reconhecer. Sobre entender o que faz sentido levar para o próximo ano e o que precisa ser deixado para trás. Sobre identificar padrões, escolhas, excessos, negligências e também grandes conquistas, aquelas que você talvez não tenha comemorado por estar preso à correria do dia a dia. É sobre fechar ciclos com consciência para que o próximo comece com leveza.
No fim, a autoavaliação é uma ferramenta de responsabilidade. Ela te devolve o protagonismo da própria carreira. Te convida a assumir o que é seu: as vitórias, os tropeços, os aprendizados e os pontos cegos. E, principalmente, te lembra de algo simples, mas profundo: você não é apenas um profissional que trabalha, você é uma vida inteira que também constrói uma carreira. E quando você se enxerga por completo, corpo, mente, alma e profissão começam a caminhar juntos. É exatamente aí que o próximo ano deixa de ser uma promessa e começa a se tornar um projeto.
Karine Camuci é fundadora da Você Empregado, empresa que tem dois importantes compromissos: preparar os profissionais para conseguirem um novo emprego, atuando desde o reconhecimento de competências individuais até a aprovação em processos seletivos; e auxiliar empresas no tocante à responsabilidade social após desligamentos de funcionários e no suporte em processos de headhunting, visando a contratação de novos colaboradores.







