O início de ano – que já chega a 1/6 do total – veio com listas de leitura, indicações de artigos e reflexões de quem escreve nos jornais. Fiz um apanhado pessoal, aleatório e longe de qualquer representatividade de exemplos literários e de outras manifestações culturais espalhados por aí, sem ater a títulos, mas a ideias neles contidas.
Começo com o livro “It´s all true” da pesquisadora Catherine L. Benamou (editora Unesp, 2024), obra bem detalhada sobre essa passagem importante das filmagens de Orson Welles no Brasil, mesclando a trajetória de um grande cineasta com o momento político mundial. Espero que o filme inacabado possa ser um dia reconstituído na íntegra usando ferramentas de inteligência artificial para dar mobilidade a cenas antes registradas apenas em fotografias.
Migro para seleções de obras sobre Música Popular Brasileira.
Muitos outros livros poderiam ser adicionados à seleção de Danilo Casaletti, feita para o Estadão (edição de 10/1), mas a mostra revela a riqueza de nossa MPB, já sabida e conhecida por quem realmente aprecia a boa música, um “filão que dá muita bossa”, segundo o articulista. Ainda que muitos de seus protagonistas tenham morrido ou já em idade octogenária, quase encerrando a produção cultural, nota-se uma renovação com novas vozes, também contempladas naquela seleção. Sem desprezar outras batidas e sabendo que lixo sonoro sempre houve, a MPB é uma das raras combinações de leveza artística com posicionamento político, de amor com paixão, de sabores com saberes.
A matéria de Edison Veiga intitulada “A biógrafa esquecida da 1a. imperatriz do Brasil” (Estadão, 19/1) resgatou uma personagem ímpar, a ucraniana Olga Obry, a citada biógrafa. Mais do que a própria história do Império, a vida dessa mulher deveria ser objeto de biógrafos. Porém, o citado apagamento foi seletivo à obra sobre a Imperatriz Leopoldina, pois ela continuou escrevendo crônicas enviadas da Europa e publicadas nos jornais daqui. Os historiados literários precisam estudar esse caso.
Por fim, a dama do crime, Agatha Christie.
A escritora britânica é o fino da literatura policial, resgatada por novas gerações, pelo que se depreende das interações dos jovens. Bom momento para relançamentos das obras menos conhecidas dela e também de estudos avaliando o momento político em que ela escreveu suas obras, junto com a falta de embasamento para os cancelamentos que ainda lhe atingem hoje.
Adilson Roberto Gonçalves, pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras











