O assunto é controverso, mas necessário. Quando os “donos” das redes sociais decretam unilateralmente que não mais farão checagem de veracidade das informações que são lá colocadas e, em função da abrangência global do uso e dependência e importância de tais redes, cria-se uma situação perigosa que alimentará ainda mais a mentira que sustenta a extrema direita no mundo.
O “montanha de açúcar” – tradução direta de Zuckerberg do alemão – nada tem de doce em sua decisão. Ou foi por medo de perder dinheiro com a volta de Donalt Trump ao governo norte-americano (o próprio futuro presidente assim sugeriu), ou porque sua verdadeira índole é viver sobre a mentira, como se estivesse em um mundo paralelo no qual não possui qualquer responsabilidade pelo que permite e divulga. A mentira levou ao brexit no Reino Unido, à vitória de Trump sobre Hillary Clinton em 2016, à eleição de Bolsonaro em 2018, e à ascensão de muitos outros “líderes” que tomaram o poder e nele se mantêm porque criaram uma rede de fakenews poderosa.
O STF tenta punir a irresponsabilidade das redes sociais, sem muito sucesso, clamando pela necessidade premente de regulamentação.
Obteve certo êxito em relação ao Twitter, chamado agora de X, de Elon Musk, com a suspensão da rede por algum tempo e retorno depois de atender a algumas medidas. Dizem que, agora, em função da submissão do dono da Meta aos ditames da extrema direita, tais medidas deixarão de ser analisadas pelo Judiciário e Parlamento brasileiros. Pelo contrário, agora é que tais medidas devem ser colocadas em prática, pois o perigo aumentou.
Que fique claro que tirar as ferramentas de controle das publicações não é direito ou liberdade de opinião. Quando um atleta é pego em doping, mesmo posterior à competição em que participou, tem seu prêmio, troféu ou medalha anulados. Quando um cientista publica um resultado forjado ou sem bases sólidas, tem seu artigo despublicado.
Mas parece que o mentiroso que interfere na política não quer ver seus direitos cassados pelo mal que causa.
No mundo das redes sociais de que participo, um minúsculo recorte do universo cibernético, a regra é clara: mesmo quando as postagens falsas são desmentidas, o autor da proeza nunca aparece para se desculpar ou dizer que ficará mais atento às bobagens que recebe e reproduz. Não faz isso porque sua índole é tão podre quanto o conteúdo do que posta (que vontade de trocar as oclusivas p e b).
Adilson Roberto Gonçalves é pesquisador da Unesp, membro da Academia de Letras de Lorena, da Academia Campineira de Letras e Artes, da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Campinas.







