Ex-aluna da Unicamp com graduação e mestrado em Engenharia de Computação, atualmente em destaque na área de Efeitos Especiais em Hollywood, Tati Leite retorna à universidade onde se formou em Campinas para ministrar a palestra “Onde a Imaginação Encontra a Tecnologia: Uma Jornada da Engenharia aos Efeitos Especiais”.
O evento acontecerá na manhã desta sexta-feira (25), às 11h, na Sala de Congregação, no Piso Térreo da FEEC (Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação), da Unicamp, em Campinas.

Com grandes sucessos no currículo, como o remake “O Rei Leão” (2019), indicado ao Oscar de Melhores Efeitos Visuais em 2020, a engenheira da computação mora há 12 anos em Los Angeles, nos Estados Unidos, e está no Brasil para cumprir agenda profissional, antes de seguir pela América Latina, para mais compromissos.
Na semana que vem, ela será palestrante na maior conferência de computação gráfica do mundo, o SIGGRAPH (Grupo de Interesse Especial em Computação Gráfica e Técnicas Interativas), da ACM (Associação Internacional de Máquinas de Computação), com sede em Nova York. A edição latino-americana ocorrerá na Colômbia, nos próximos dias 30 e 31 de outubro.
Especialista em Processamento de Imagem e Visão Computacional, Tati Leite acumula outros trabalhos na bagagem que são sucessos mundiais, como “Christopher Robin – Um Reencontro Inesquecível” (2018), da Disney, além de dois blockbusters da Marvel – “Capitã Marvel” (2019) e “Homem-Formiga e a Vespa” (2018) – e o sexto filme da saga “Missão Impossível”, com Tom Cruise: “Efeito Fallout” (2018).
Em 2012, logo após concluir o mestrado em Engenharia da Computação na Unicamp, onde também se formou, em 2009, Tati Leite se mudou para os Estados Unidos e se estabeleceu em Los Angeles, onde ingressou na UCLA (Universidade da Califórnia) para estudar Entretenimento. Hoje com 38 anos, Tati Leite tem chamado atenção no mercado cinematográfico de Hollywood.
“Juntei os conhecimentos técnicos em computação com o lado artístico de efeitos especiais e sonhava em trabalhar em grandes projetos nos maiores estúdios de Hollywood. Eu sempre soube que era um mercado extremamente competitivo. Os departamentos técnicos de efeitos especiais são compostos em sua maioria por homens, e eu, por ser mulher e imigrante latino-americana, sabia que o desafio seria enorme. Mas minha paixão pela área era tão grande que não deixei isso me intimidar”, relata Tati.
Baseada em Los Angeles há mais de doze anos, a paulista natural de Santo André é a única brasileira que integra o VES (Sociedade de Efeitos Visuais), que promove a maior premiação do segmento nos Estados Unidos.
Confiante no objetivo de conquistar seu lugar ao sol, Tati Leite teve uma ajuda fundamental ao conhecer a espanhola Rosa Farre, supervisora de efeitos especiais de filmes como “Mortal Kombat” e “Batman Eternamente”, e uma das poucas estrangeiras a se destacar no ramo. “A Rosa Farre me deu uma direção a seguir e me ajudou a criar um portfólio consistente, como exigem os estúdios americanos”, relembra Tati Leite.
Diante da própria experiência, a bandeira do espaço para as mulheres dentro do mercado de Efeitos Especiais passou a fazer parte da construção da carreira da brasileira. “É preciso representatividade para que nós mulheres possamos ocupar qualquer cargo ou função que desejarmos. Espero estar contribuindo para que mais portas se abram no mercado para todas nós”, almeja a profissional.
Em quase 80 anos que a categoria de Efeitos Especiais é premiada no Oscar, apenas uma mulher levou essa estatueta para casa: Sara Bennett, supervisora de efeitos especiais inglesa, pelo primoroso trabalho em “Ex-Machina – Instinto Artificial”, em 2014.
Outras experiências de destaque
Durante a pandemia de Covid-19, Tati Leite atuou em projetos culturais de grande repercussão no Brasil. No início de 2020, Tati teve a missão de transformar o sucesso da exposição “Leonardo Da Vinci – 500 Anos de um Gênio”, do MIS Experience, em São Paulo, em uma versão virtual. O trabalho de codireção foi elogiado pela crítica e por quem passou pela experiência imersiva da exposição através da tela do computador ou do celular.
Naquele mesmo ano, a artista ainda dirigiu uma arena dentro da CCXP 2020, que também foi realizada de forma remota por conta da pandemia de Covid-19, que suspendeu as programações culturais presenciais.











