De Sumaré direto para Nova York (EUA). Esse será o grande desafio de Thaís França no próximo dia 8 de maio, dentro da Tatoo Week NY. A viagem será, ainda, um divisor de águas na vida da artista, que pretende mergulhar mais profundamente na arte da tatuagem e espera ver seu trabalho ser reconhecido internacionalmente.
O trabalho de Thaís segue na linha da xilogravura (arte em madeira), chamado de Xilotatoo. Após participar da Tatoo Week SP no ano passado, Thaís ganhou o concurso que oferecia um estande em todos os eventos – nacionais e internacionais – que ocorrerão este ano. A artista viajará por conta própria, mas terá seu espaço garantido em um dos maiores eventos de tatuagens do mundo. Por isso, ela criou uma vaquinha on line para bancar sua viagem a Nova York no início de maio.
Apaixonada pelo Brasil, a artista pretende levar para o mundo a cultura popular brasileira. A fazer a xilotatoo, a pessoa leva para casa a matriz do desenho, pois Thaís, primeiramente, esculpe o desenho em linóleo, usando a técnica da xilogravura, e, a partir daí, usa como decalque para aplicar na pele. O linóleo é um revestimento de piso feito de materiais naturais, como óleo de linhaça, cortiça, juta e resina, durável, resistente e sustentável.
Thaís Franca tem 40 anos, nasceu em Campinas, já morou em São Paulo, em Espírito Santo do Pinhal e, hoje, reside em Sumaré. É mãe solo de uma jovem de 23 anos e de um menino de 14. Estava no 4º ano da faculdade de Arquitetura quando engravidou pela segunda vez e precisou interromper os estudos, pois o bebê nasceu prematuro (5 meses) e passou seis meses na UTI.
Começou a trabalhar muito cedo – aos 14 anos. Sua formação no Ensino Médio é em Técnico em Agricultura, no Instituto Paula Souza. Chegou a trabalhar na área, em uma época em que, praticamente, não existiam mulheres neste ramo. Após sofrer assédio moral e muito preconceito, desistiu e passou a estudar e trabalhar na área da comunicação visual.
Após algumas experiências profissionais em decoração e vitrine, começou a fabricar brinquedos educativos em madeira, que vendia na feira de artesanato da Praça do Coco, em Barão Geraldo. “Pela primeira vez, passei a vender algo meu, foram 6 anos incríveis”, relembra. Mas veio a pandemia e, mais uma vez, Thais precisou mudar de ramo. Percebendo que a arte nunca mais sairia da sua vida, fez alguns cursos de tatuagem e uma oficina com J. Borges (1935-2024), artista, cordelista e poeta brasileiro (um dos mais famosos xilógrafos de Pernambuco). A partir de então, a tatuagem e a xilotatoo passou a ser seu meio de sustento e alimento para a alma: “Trabalhar com a xilotatoo é como se eu estivesse voltando a um lugar que nunca estive”, garante a artista.











